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quarta-feira, setembro 16, 2026

Interação com IA agrava surto psicótico em paciente que acreditava falar com familiar falecido

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Um caso clínico acompanhado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco acendeu um alerta sobre o uso intensivo de inteligência artificial generativa em momentos de vulnerabilidade psíquica. Uma profissional de saúde de 26 anos precisou ser internada em um hospital psiquiátrico na Califórnia após desenvolver um episódio psicótico no qual acreditava manter contato com o irmão falecido por meio do ChatGPT.

Segundo o relato, a paciente não apresentava histórico prévio de transtornos mentais graves. O episódio ocorreu após um período prolongado de trabalho que resultou em cerca de 36 horas sem dormir. Foi nesse contexto de exaustão que ela passou a interagir de forma intensa com a ferramenta de IA.

Validação de crenças durante a crise

Durante as conversas, a paciente solicitou que o sistema utilizasse “energia de realismo mágico” para ajudá-la a localizar o irmão, um engenheiro de software que havia morrido três anos antes. As respostas do chatbot, descritas no estudo, acabaram reforçando interpretações irreais, incluindo menções a conceitos como “ressurreição digital”.

Em determinado momento, a IA chegou a responder com frases tranquilizadoras, como “você não está louca”, o que, segundo os médicos, contribuiu para a validação dos delírios e para o agravamento do quadro. Especialistas explicam que sistemas desse tipo não compreendem a realidade factual e tendem a espelhar ou concordar com o conteúdo apresentado pelo usuário, adotando um tom que pode soar confirmatório.

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Internação, tratamento e recaída

Ao dar entrada no hospital, a paciente apresentava confusão mental, agitação e fala acelerada. Ela foi tratada com medicamentos antipsicóticos e apresentou melhora clínica em cerca de uma semana. No entanto, três meses depois, houve uma recaída após novo período de privação de sono associado ao retorno do uso da IA.

Os médicos diagnosticaram psicose não especificada, apontando como fatores agravantes a falta de sono e o uso de medicamentos estimulantes para tratamento de TDAH. No entendimento da equipe, a tecnologia não foi a causa direta da condição, mas funcionou como um gatilho emocional em um momento de fragilidade.

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Alerta para uso responsável de IA

Para os pesquisadores, o caso ilustra como interações prolongadas com chatbots podem atuar como um “diálogo interno amplificado”, especialmente quando o usuário se encontra exausto ou emocionalmente vulnerável. Nessas situações, respostas que soam acolhedoras podem inadvertidamente reforçar crenças distorcidas.

O estudo reforça a importância do uso responsável dessas ferramentas, sobretudo em contextos de saúde mental, e destaca a necessidade de atenção a fatores básicos de proteção, como descanso adequado. Para os especialistas, à medida que a IA se torna mais presente no cotidiano, cresce também a responsabilidade de compreender seus limites e potenciais riscos.

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