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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas identificam possíveis fragmentos de DNA ligados a Leonardo da Vinci

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Pesquisadores afirmam ter dado um passo inédito na tentativa de rastrear vestígios genéticos de Leonardo da Vinci, um dos maiores nomes do Renascimento. Um estudo recente sugere que fragmentos de DNA humano encontrados em uma obra atribuída ao artista e em documentos de seus familiares podem pertencer à mesma linhagem biológica.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Leonardo da Vinci DNA Project e divulgada em formato preliminar no servidor científico bioRxiv. Os autores ressaltam que os resultados ainda não permitem uma confirmação definitiva, mas apontam para um avanço relevante na reconstrução da história genética do artista.

Onde o DNA foi encontrado

As análises se concentraram em dois tipos de material:

  • um desenho em giz vermelho atribuído a Leonardo da Vinci, conhecido como Holy Child;

  • cartas históricas escritas por parentes masculinos do artista, que teriam sido seladas com o polegar.

Em ambos os casos, os cientistas identificaram fragmentos do cromossomo Y humano pertencentes ao mesmo grupo genético, associado à região da Toscana, local de nascimento de da Vinci. O marcador pertence à linhagem E1b1b, transmitida de pai para filho ao longo das gerações.

A coincidência entre os fragmentos encontrados na obra artística e nos documentos familiares reforça a hipótese de que o material biológico esteja ligado à família de Leonardo — e possivelmente ao próprio artista.

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Desafios da genética aplicada à arte

Os pesquisadores destacam que a maior parte do DNA extraído não era humana. Cerca de 99% do material genético encontrado no papel veio de bactérias, fungos e plantas acumulados ao longo de mais de 500 anos. Ainda assim, esses vestígios ajudaram a contextualizar historicamente a obra.

Foram identificados, por exemplo, fragmentos associados a laranjeiras-doces (Citrus sinensis), comuns nos jardins da família Médici, além de traços do parasita Plasmodium, relacionado a surtos de malária na Itália renascentista.

Segundo os autores, o grande desafio é separar o DNA original daquele deixado por restauradores, colecionadores e pelo ambiente ao longo dos séculos. Por isso, os resultados ainda precisam de validação com novas amostras.

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Por que isso é relevante

Leonardo da Vinci não teve filhos conhecidos, e seus restos mortais não podem ser analisados — a igreja onde foi enterrado foi destruída após a Revolução Francesa, e o túmulo atribuído a ele, em Amboise, não é acessível para estudos científicos.

Diante dessas limitações, a busca por vestígios biológicos em obras e documentos se tornou uma alternativa viável. Os pesquisadores afirmam que técnicas modernas de sequenciamento genético permitem extrair e analisar quantidades mínimas de DNA preservadas em materiais históricos.

Caso a identificação genética avance, esse tipo de estudo pode abrir novas possibilidades para a ciência do patrimônio cultural, auxiliando na autenticação de obras, na investigação de procedência e até no combate a fraudes no mercado de arte.

Embora preliminar, o trabalho mostra como a genética começa a se cruzar com a história da arte, oferecendo novas ferramentas para compreender o legado — e até a biologia — de uma das figuras mais influentes da história ocidental.

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