O governo de São Paulo iniciou uma ofensiva para descaracterizar a imagem da Penitenciária 2 de Tremembé como destino de presos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional. Em pouco mais de um mês, cinco detentos conhecidos do público foram retirados da unidade, em uma ação coordenada pela Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo.
As transferências ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e atingiram nomes como Robinho, Thiago Brennand, Ronnie Lessa, Fernando Sastre e Walter Delgatti Neto. A movimentação faz parte de uma estratégia para alterar o perfil da penitenciária, que deixará de receber presos em regime fechado e passará a abrigar apenas detentos do semiaberto.
Embora o governo negue oficialmente a existência de privilégios, Tremembé ganhou notoriedade justamente por concentrar condenados que, por razões de segurança, não eram mantidos em outras unidades do sistema prisional paulista. A exposição aumentou ainda mais após o lançamento de uma série em plataforma de streaming que retrata o cotidiano do presídio ao longo das últimas décadas.
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Divergências sobre segurança e condições
Enquanto a SAP sustenta que a unidade segue protocolos regulares, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo apresenta uma leitura diferente. O Núcleo Especializado de Situação Carcerária aponta que o presídio enfrenta problemas estruturais e registra denúncias recorrentes, como racionamento de água, mortes de internos e violações de direitos, sobretudo em períodos de menor fiscalização.
Dentro do plano do governo, presos considerados de maior periculosidade passaram a ser direcionados para a penitenciária de Potim, no interior do estado. Com capacidade para pouco mais de mil detentos e ocupação abaixo da metade, a unidade é descrita por servidores do sistema como mais rígida, com arquitetura e rotinas pensadas para impor maior controle e intimidação.
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Série acelera decisões nos bastidores
Nos corredores do sistema penitenciário, a avaliação é de que a repercussão da série funcionou como um catalisador para decisões que já vinham sendo discutidas internamente. A produção gerou desconforto entre presos e servidores ao expor irregularidades do passado, reacendendo o debate sobre corrupção e omissão na gestão prisional.
O presidente do sindicato dos policiais penais, Fábio Jabá, reconheceu que problemas graves existiram em outras gestões, mas afirma que o cenário atual é diferente. “Quem não era corrupto, era omisso. Era outra época. Hoje está mais difícil”, declarou em entrevista.
Apesar das críticas das autoridades à forma como o presídio foi retratado na série, o impacto foi suficiente para recolocar Tremembé no centro das atenções públicas. Entre os detentos que já passaram pela unidade e ganharam destaque na produção estão Suzane von Richthofen, Daniel Cravinhos, Cristian Cravinhos, Elize Matsunaga, Alexandre Nardoni e Roger Abdelmassih — atualmente, apenas Abdelmassih segue na penitenciária.
Fontes ligadas ao sistema indicam que novas transferências não estão descartadas, especialmente se a segunda temporada da série, já anunciada, voltar a colocar Tremembé sob os holofotes. Oficialmente, porém, a SAP mantém o discurso de que as mudanças fazem parte de um planejamento técnico, sem relação direta com a repercussão midiática.
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