O governo dos Estados Unidos avalia uma proposta controversa para ampliar sua influência sobre a Groenlândia: oferecer compensações financeiras diretas à população local como parte de um plano que, na prática, abriria caminho para a anexação do território. A iniciativa, atribuída à gestão do presidente Donald Trump, foi revelada pela agência Reuters.
De acordo com as informações, os valores cogitados variam de US$ 10 mil a US$ 100 mil por habitante que manifeste apoio à proposta — algo que pode chegar a mais de meio milhão de reais por pessoa, dependendo da cotação. A Groenlândia tem cerca de 57 mil moradores.
A possibilidade de incentivos financeiros, no entanto, não é o único caminho analisado por Washington. Reportagem da BBC indicou que a Casa Branca também considera cenários mais duros, incluindo o uso de força militar — hipótese que gerou forte reação internacional.
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Tanto o governo da Dinamarca quanto as autoridades locais da Groenlândia reiteraram que o território não está à venda. Lideranças europeias lembram que Estados Unidos e Dinamarca são aliados históricos dentro da OTAN, o que torna ainda mais delicada qualquer ameaça de confronto.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, reagiu com veemência à movimentação americana. Em declaração reproduzida pelo UOL, afirmou: “Basta! Chega de pressões. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos a discussões. Mas isso deve ser feito através dos canais adequados e conforme o direito internacional”. Já a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou a ideia como absurda.
A União Europeia também se posicionou publicamente em defesa da soberania da Groenlândia. A porta-voz do bloco, Anitta Hipper, reforçou que a UE seguirá sustentando os princípios da integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras.
Interesses estratégicos por trás da proposta
Apesar das críticas, o governo americano tem minimizado os alertas vindos da Europa. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que Washington segue “analisando como seria uma possível compra” do território.
Trump já deixou claro, em outras ocasiões, que considera a Groenlândia um ativo central para a “segurança nacional” dos Estados Unidos. Um dos principais fatores é a Base Aérea de Thule, instalada em 1951 e considerada a base militar americana mais ao norte do planeta, peça-chave nos sistemas de alerta e defesa antimísseis do hemisfério norte.
Além do peso militar, a ilha concentra reservas relevantes de minerais estratégicos usados nas indústrias tecnológica e de defesa. Hoje, grande parte da exploração global desses recursos está sob influência da China, o que aumenta a preocupação geopolítica dos EUA.
A localização da Groenlândia — entre a América do Norte, a Rússia e as rotas de acesso ao Ártico — completa o quadro. Em um cenário de disputas crescentes por território, recursos naturais e influência militar, a ilha se tornou um ponto-chave no xadrez internacional, elevando a tensão entre aliados históricos.
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