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quarta-feira, setembro 16, 2026

UE aprova provisoriamente acordo comercial com o Mercosul após 25 anos de negociação

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Os embaixadores da União Europeia deram aval provisório, nesta sexta-feira (9), para a assinatura do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, encerrando mais de duas décadas de negociações. A decisão ainda precisa ser formalizada pela Comissão Europeia e ratificada pelo Parlamento Europeu para que o pacto entre em vigor.

Segundo fontes diplomáticas, ao menos 15 dos 27 Estados-membros — representando cerca de 65% da população da UE — votaram a favor, atingindo o quórum necessário. Com isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, possivelmente já na próxima semana.

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Por que o acordo é estratégico para a UE

A Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha defendem o acordo como peça-chave para:

  • abrir novos mercados e compensar perdas causadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos;

  • reduzir a dependência econômica da China;

  • garantir acesso a matérias-primas e minerais estratégicos.

O pacto é considerado o maior da UE em termos de redução tarifária, com potencial de eliminar cerca de € 4 bilhões por ano em impostos sobre exportações europeias.

Resistência agrícola e protestos

A oposição é liderada pela França, maior produtor agrícola do bloco, e por Polônia. Esses países temem que o acordo amplie a entrada de produtos agrícolas mais baratos — como carne bovina, aves e açúcar — prejudicando agricultores europeus. Protestos já ocorreram na França, Bélgica e Polônia.

Para tentar conter as críticas, a Comissão Europeia incluiu:

  • salvaguardas para suspender importações de produtos sensíveis;

  • controles mais rígidos sobre resíduos de pesticidas;

  • um fundo de crise e apoio acelerado aos agricultores;

  • redução de tarifas de importação de fertilizantes.

Apesar disso, a ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, afirmou que a “batalha não terminou” e prometeu tentar barrar o acordo no Parlamento Europeu. Grupos ambientalistas, como a Friends of the Earth, também criticam o pacto, chamando-o de prejudicial ao clima.

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Próximos passos

O acordo ainda precisará do aval do Parlamento Europeu, onde a votação é considerada apertada e pode ocorrer entre abril e maio. Caso aprovado, o comércio entre UE e Mercosul — que somou cerca de € 111 bilhões em 2024 — tende a se expandir, com a Europa exportando principalmente máquinas, químicos e equipamentos de transporte, e o Mercosul ampliando vendas de produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.

Mesmo com o avanço histórico, o futuro do maior acordo comercial já negociado pela União Europeia segue condicionado a intensas disputas políticas e ambientais dentro do próprio bloco.

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