A orca Kshamenk, conhecida mundialmente como a “mais solitária do mundo”, morreu no último domingo (14), aos 36 anos, no parque aquático Mundo Marino, na Argentina. O macho era a última orca em cativeiro em toda a América do Sul e sua trajetória ficou marcada tanto pelo resgate ainda jovem quanto pelas polêmicas envolvendo sua permanência em confinamento.
De acordo com a administração do parque, a causa da morte foi um enfarte cardiorrespiratório, associado à idade avançada do animal. A fundação responsável informou que procedimentos internos foram abertos para apurar as circunstâncias do óbito.
Kshamenk chegou ao Mundo Marino em 1992, após ser encontrado sozinho na baía de Samborombón. À época, autoridades ambientais haviam sido acionadas para resgatar quatro orcas encalhadas, mas apenas ele foi localizado, ainda com cerca de três anos de idade. Desde então, passou a viver sob cuidados humanos.
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Durante parte de sua vida em cativeiro, Kshamenk dividiu o espaço com a fêmea Belén, resgatada em outra operação. A morte dela, em 2000, durante a gestação, marcou o início de um longo período de isolamento. Por mais de duas décadas, a orca permaneceu sem a companhia de outro animal da mesma espécie.
Em nota publicada nas redes sociais, a fundação prestou homenagem ao animal e destacou o vínculo criado ao longo dos anos. “É difícil descrever a dor que sentimos. Ele fazia parte da nossa família”, afirmou a instituição. “Ele nos ensinou muito sobre o amor e como podemos nos entender sem compartilhar a mesma linguagem. Sentiremos sua falta com a alma, porque deixou uma marca indelével em nossas vidas e na de todos que o conheceram”.
A história de Kshamenk voltou a ganhar repercussão internacional em junho deste ano, quando a ONG Tide Breakers divulgou um vídeo mostrando o animal em uma piscina considerada pequena para uma orca, com cerca de 12 metros de largura e 4 metros de profundidade. As imagens viralizaram e reacenderam críticas ao uso de cetáceos em espetáculos.
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A mobilização chegou ao Congresso argentino, onde parlamentares passaram a discutir a chamada “Ley Kshamenk”, proposta que pretende proibir apresentações com animais em parques e aquários no país. Apesar das pressões, o parque manteve as atividades com o animal, que seguia participando de shows, realizando saltos e movimentos sob comando de treinadores.
Com a morte de Kshamenk, encerra-se um capítulo controverso da relação entre entretenimento, conservação e direitos dos animais na América do Sul — e o debate sobre o futuro do cativeiro segue mais vivo do que nunca.
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