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quarta-feira, setembro 16, 2026

Tecnologia promete revolucionar o tratamento do diabético e reduzir amputações no Brasil

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Uma inovação desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) pode mudar drasticamente o enfrentamento das complicações do diabetes no país. A tecnologia, chamada Rapha, combina um curativo feito de látex natural com luz LED para acelerar a recuperação de feridas difíceis — especialmente as do chamado pé diabético, condição responsável por cerca de 50 mil amputações anuais no Brasil.

O dispositivo, segundo seus criadores, atua em duas frentes: o látex estimula a formação de novos vasos sanguíneos, enquanto o LED ativa células da pele, favorecendo a regeneração dos tecidos. A proposta é oferecer um tratamento de baixo custo e impacto clínico significativo, capaz de reduzir drasticamente o risco de amputação.

Feridas que demoram a cicatrizar: o desafio por trás das amputações

As úlceras do pé diabético atingem, sobretudo, pessoas com menor acesso a cuidados de saúde e informação — uma realidade que se repete também nos Estados Unidos, na Europa e em países africanos, como lembra a pesquisadora Suélia Fleury Rosa, professora da UnB e da Universidade Cornell.

A dificuldade de cicatrização resulta da combinação de má circulação, danos nos nervos e infecções recorrentes, o que frequentemente evolui para amputações. Uma solução simples, acessível e eficaz pode alterar esse cenário em âmbito global.

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Do laboratório ao SUS: uma jornada de quase 20 anos

A tecnologia levou duas décadas para ganhar forma. Nesse percurso, a equipe enfrentou o chamado “vale da morte” da inovação — fase crítica em que pesquisas promissoras correm o risco de nunca se transformar em produto viável.

Segundo Rosa, o processo envolveu extensa validação científica, testes com usuários e ajustes necessários para garantir conforto, segurança e eficiência terapêutica.

Hoje, o curativo já possui certificação de segurança do Inmetro e aguarda o aval da Anvisa para ser distribuído e incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Como funciona o Rapha

A inovação combina bioengenharia e fototerapia:

  • O látex natural estimula a vascularização e cria um ambiente favorável à cicatrização.

  • A luz LED ativa processos celulares que aceleram a regeneração do tecido.

  • O conjunto é pensado para ser barato, portátil e de fácil aplicação — ideal para uso em regiões com pouca infraestrutura.

Os pesquisadores acreditam que o método pode reduzir amputações pela metade, ampliando a autonomia e qualidade de vida de milhares de pessoas com diabetes.

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O que vem pela frente

Com a aprovação da Anvisa, o próximo passo é a distribuição pelo SUS e formação de profissionais para utilizar a tecnologia. A expectativa da equipe é que o Rapha se torne uma alternativa de tratamento de grande alcance, especialmente em comunidades vulneráveis.

Se a promessa se confirmar, a inovação brasileira poderá se tornar referência internacional no combate às complicações do diabetes — mostrando que tecnologia aplicada de forma acessível salva vidas.

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