Um grupo de pesquisadores da University of Illinois Urbana-Champaign apresentou um método de recuperação de lítio capaz de baratear de forma significativa o reaproveitamento do metal presente em baterias descartadas. Segundo o estudo, o processo permite extrair lítio a um custo estimado de US$ 12,70 por quilo — valor abaixo do preço praticado no mercado durante o período analisado, de US$ 13,17/kg.
O avanço surge em um momento em que cresce a busca por alternativas mais sustentáveis à mineração convencional. Extrair o metal de depósitos naturais exige alto investimento, demanda grande volume de água e gera impactos ambientais relevantes. Já as soluções existentes de reciclagem, que costumam envolver processos agressivos ou de alto consumo energético, nem sempre compensam economicamente.
++ Exame psiquiátrico reacende debate sobre possível soltura de Adélio Bispo após seis anos isolado
Como funciona o processo
Para desenvolver a nova técnica, a equipe coordenada pelo professor Xiao Su desmontou células de baterias antigas e as submeteu a um solvente orgânico. O procedimento transforma os componentes em uma solução rica em lítio e outros metais.
A separação ocorre por meio de um eletrodo de copolímero criado pelos próprios pesquisadores. Esse material combina moléculas capazes de se ligar seletivamente ao lítio com estruturas que respondem à aplicação de corrente elétrica. Quando ativado, o eletrodo captura apenas o lítio, deixando para trás substâncias indesejadas.
O grupo também demonstrou que o eletrodo mantém desempenho mesmo após 500 ciclos de uso, indicando durabilidade e potencial de aplicação industrial.
Por que o método é mais barato
Além de recuperar um insumo essencial por um preço competitivo, o processo se destaca pela comparação direta com técnicas consagradas. A lixiviação ácida, amplamente usada para dissolver metais, pode custar entre US$ 81 e US$ 462 por quilo de lítio recuperado, além de gerar resíduos perigosos. Já métodos que dependem de fusão em alta temperatura variam de US$ 36 a US$ 126 por quilo e têm menor eficiência de separação.
Os autores defendem que o novo sistema pode ser o primeiro caminho realmente viável para reciclar lítio em escala comercial, tornando o material reciclado mais barato que aquele obtido no mercado.
++ Lula diz que nova faixa de isenção do IR deve movimentar R$ 28 bilhões e reforçar consumo em 2026
O que vem pela frente
O trabalho, publicado na revista ACS Energy Letters, ainda é considerado uma prova de conceito. A próxima etapa envolve escalar o processo e testá-lo em diferentes contextos industriais. Xiao Su destaca que a pesquisa reforça o potencial das separações eletroquímicas como alternativa sustentável para recuperar metais críticos.
“O objetivo é contribuir para uma cadeia de suprimentos mais sustentável e circular, fortalecendo a segurança no abastecimento e reduzindo os impactos ambientais associados à mineração”, afirma o pesquisador.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



