A tentativa da China de realizar seu primeiro voo orbital com pouso controlado de um foguete reutilizável ganhou um novo capítulo de incerteza. O lançamento do Zhuque-3, desenvolvido pela empresa privada LandSpace e apontado como o mais avançado entre os veículos chineses preparados para esse marco tecnológico, foi suspenso no fim de semana, sem nova previsão de data.
A missão estava cercada de expectativa porque colocaria a China em posição histórica: seria o primeiro voo orbital do país com tentativa de recuperação do primeiro estágio — operação dominada pela SpaceX desde 2015 e que transformou o setor global de lançamentos ao reduzir custos e aumentar a cadência de missões.
O Zhuque-3, movido a metano e construído em aço inoxidável, havia concluído uma série de testes em Jiuquan ao longo de outubro e novembro, incluindo ensaios estáticos e validações estruturais. O foguete foi posicionado na plataforma 96B para o voo que, segundo veículos especializados, ocorreria inicialmente no sábado (29) e depois foi adiado para segunda-feira (1º). O perfil CNSpaceflight informou que a campanha foi interrompida por “motivos não divulgados” e que o novo atraso deve ser “significativo”.
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Três concorrentes na largada pela reutilização
Apesar do contratempo, a China mantém três foguetes prontos para estrear voos orbitais com pouso: além do Zhuque-3, estão posicionados em Jiuquan o Long March 12A, da estatal Academia de Tecnologia Aeroespacial de Xangai, e o Tianlong-3, desenvolvido pela Space Pioneer. Todos utilizam tecnologia inteiramente nacional, incluindo algoritmos, materiais, sistemas de navegação e motores projetados no país.
A disputa tem peso estratégico. O Long March 12A e o Zhuque-3 planejam tentar o pouso já no voo inaugural, retornando a bases instaladas a cerca de 400 km da plataforma. O Tianlong-3 também é reutilizável, mas não deve realizar a manobra na estreia. O esforço visa atrair contratos de constelações de satélites e reduzir custos operacionais, uma corrida que hoje é dominada pela SpaceX.
Histórico de testes e ambições futuras
O Zhuque-3 está entre os projetos mais ambiciosos da nova geração espacial chinesa. Em 2024, realizou um voo atmosférico de 10 km com religamento de motor, etapa crucial para validar o pouso vertical. A LandSpace também conduziu testes prolongados dos motores Tianque-12A e avalia que o veículo pode ser reutilizado até 20 vezes. Em configuração reutilizável, consegue transportar cerca de 18 toneladas para a órbita baixa.
O Long March 12A, redesenhado para operar com metano e priorizar a reutilização, tem capacidade menor — cerca de 12 toneladas —, enquanto o Tianlong-3 ocupa um espaço intermediário no mercado comercial.
O plano chinês vai além do Zhuque-3: a LandSpace trabalha no Zhuque-X, um veículo de grande porte que mira o segmento dos superpesados, competindo com o Starship. O motor Lanyan-20, parte central do projeto, já passou por testes de ignição, mas o programa ainda está em fase inicial.
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Musk minimiza avanço, mas China acelera investimentos
Nas redes sociais, as movimentações em Jiuquan reacenderam discussões entre entusiastas e especialistas. Elon Musk afirmou que, mesmo com pousos bem-sucedidos, a China ainda precisaria de “muitos anos” para alcançar o nível operacional da SpaceX, que levou quase uma década para dominar recuperações repetidas sem falhas.
Mesmo assim, a China vê a reutilização orbital como um passo inevitável. A consolidação de três veículos prontos para voo e a construção de novas áreas de pouso indicam que o país está preparado para avançar — resta apenas saber qual foguete inaugurará oficialmente essa fase.
Por enquanto, o cronograma depende da retomada da campanha do Zhuque-3 ou da definição de datas para os concorrentes Long March 12A ou Tianlong-3. O marco, quando vier, colocará a China mais perto de um modelo que já redefine o mercado global de lançamentos.
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