O céu da Austrália ofereceu um espetáculo improvável na noite de 23 de novembro. Em Acacia Ridge, região ao sul de Brisbane, um clarão vermelho surgiu acima de uma tempestade e acabou registrado acidentalmente pelo entusiasta da meteorologia Tony Surma-Hawes. O autor da foto só percebeu o feito ao revisar as imagens: havia capturado um dos fenômenos atmosféricos mais evasivos do planeta — um red sprite, conhecido popularmente como “duende vermelho”.
Sprites são flashes elétricos que acontecem muito acima das nuvens de tempestade, na mesosfera, a cerca de 50 a 90 quilômetros de altitude. Duram tão pouco — cerca de 10 milissegundos — que a maior parte das pessoas jamais verá um. Quando uma descarga elétrica extraordinariamente intensa ocorre na tempestade abaixo, o nitrogênio da atmosfera se excita e produz uma iluminação súbita em tons de vermelho, laranja ou magenta.
++ Estradas que brilham no escuro estão transformando a segurança noturna
Um fenômeno que exige precisão — e sorte
Para quem tenta registrar um sprite de propósito, a captura é quase uma loteria. É necessário alinhar fatores difíceis de controlar: tempestades fortes, baixa poluição luminosa, céu limpo e uma câmera preparada para longas exposições. Mesmo nessas condições, a maioria dos eventos acontece sem que ninguém perceba.
Por isso, a foto de Surma-Hawes ganhou tanta repercussão entre meteorologistas e fotógrafos especializados. Registros desse tipo ainda são raros, mas formam uma coleção global crescente usada por pesquisadores que investigam fenômenos luminosos transitórios e sua relação com tempestades de alta intensidade.
++ Homem constrói um coração robótico totalmente funcional a partir de autopeças
Por que a foto importa para a ciência
Eventos como os sprites ajudam a esclarecer como a eletricidade circula entre diferentes camadas da atmosfera e quais efeitos essas descargas podem ter no clima e na composição química do ar. Como são difíceis de detectar por instrumentos convencionais, imagens feitas por amadores têm se mostrado valiosas.
O registro australiano agora se soma a um conjunto de observações que ampliam o conhecimento sobre a dinâmica elétrica da Terra. Para muitos especialistas, cada nova imagem reforça a mesma conclusão: mesmo na era de satélites e monitoramentos automatizados, o céu ainda consegue surpreender — e, às vezes, é um olhar atento e casual que revela fenômenos que passam despercebidos durante toda uma vida.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



