17.6 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Estudo mostra que criatividade da IA tem limite e não ultrapassa nível humano mediano

Leia mais

À medida que ferramentas de inteligência artificial ganham espaço na produção de textos, imagens e ideias, cresce também a discussão sobre até onde esses sistemas podem chegar no campo da criatividade. Um estudo realizado na Austrália indica que, apesar de impressionarem pelo volume e fluidez, os modelos atuais operam dentro de um limite estrutural que impede que alcancem níveis avançados de criação original.

A pesquisa, publicada em 11 de novembro no Journal of Creative Behavior, mostra que sistemas como o ChatGPT só conseguem atingir o equivalente à criatividade média humana — e ficam distantes da capacidade observada em artistas, escritores, designers e outros profissionais especializados.

O trabalho é liderado pelo professor David Cropley, da University of South Australia, que analisou os modelos a partir da definição clássica de criatividade: algo precisa ser, ao mesmo tempo, novo e funcional. Segundo ele, os modelos de linguagem se baseiam em padrões estatísticos e escolhas probabilísticas, o que gera um impasse matemático.

Quando o sistema tenta produzir algo mais inusitado, perde precisão. Quando prioriza precisão, perde originalidade. Esse equilíbrio impossível produz um teto de criatividade de 0,25 em uma escala de 0 a 1, impossibilitando que a IA gere simultaneamente alta novidade e alta utilidade — ponto central para criações verdadeiramente inovadoras.

++ Como a planta-dionéia ataca insetos

O que isso significa na prática

Apesar da capacidade de gerar textos sofisticados, histórias, poemas e sugestões de ideias, as IAs não conseguem chegar ao que pesquisadores chamam de “criatividade transformadora” — aquela que inaugura tendências, rompe padrões ou propõe caminhos inéditos.

Cropley afirma que isso não é uma questão de aumentar a base de dados ou de treinar modelos maiores, mas sim uma limitação intrínseca da arquitetura probabilística que sustenta os sistemas atuais.

Por isso, ferramentas de IA funcionam melhor como complementos ao processo humano: ajudam a organizar conceitos, sugerem direções e aceleram fluxos de criação. Mas continuam incapazes de substituir a sensibilidade, o julgamento estético e a capacidade de inovação profunda dos profissionais criativos.

++ Bitcoin cai abaixo de US$ 90 mil e apaga ganhos do ano em meio a nova onda de vendas

Humanos continuam essenciais

O estudo aponta que áreas que dependem de interpretação subjetiva, impacto cultural e pensamento genuinamente original permanecem fora do alcance da IA. Mesmo com os avanços recentes, a criatividade humana segue sendo o elemento transformador.

Para que a IA ultrapasse esse limite, seria necessário desenvolver modelos que não dependam apenas de cálculos baseados no passado — algo ainda distante do cenário atual.

Enquanto isso, Cropley sugere uma convivência complementar: máquinas que auxiliam, humanos que criam. Como resume o pesquisador, “gerar algo automaticamente não é o mesmo que criar algo realmente novo”.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias