15 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Robôs humanoides avançam, mas levantam dilemas éticos sobre convivência, segurança e substituição do trabalho humano

Leia mais

A presença de robôs humanoides no cotidiano deixou de ser ficção científica. Prova disso é a demonstração recente da empresa chinesa Ubtech, que apresentou dezenas de protótipos destinados à indústria. O avanço reabre um debate inevitável: por que desenvolver máquinas tão parecidas com humanos — e até onde isso é eticamente aceitável?

Segundo pesquisadores ouvidos pelo Metrópoles, boa parte desse esforço tem raízes em um fenômeno global: o envelhecimento populacional. Com menos jovens disponíveis para trabalhos intensivos e um número crescente de idosos vivendo sozinhos, humanoides surgem como solução para suporte cotidiano, monitoramento e resposta a emergências.

“Muitos idosos ficam sem apoio em cidades pequenas. Os humanoides podem acompanhar rotinas, perceber riscos e acionar ajuda automaticamente”, explica Frank Ned Santa Cruz, especialista em inteligência artificial e pesquisador da Universidade do Porto, em Portugal.

Além da assistência, essas máquinas podem assumir tarefas perigosas, pesadas ou repetitivas — desde operações industriais até missões militares em áreas de risco. Para Cruz, é uma forma de proteger vidas humanas, substituindo pessoas em atividades que exigem força física ou que envolvem ameaças diretas.

Três tipos de robôs domésticos e sociais

Os especialistas classificam os humanoides em três linhas principais:

  • Robótica assistiva (AR): equipamentos que ajudam idosos ou pessoas com deficiência.

  • Robótica socialmente interativa (SIR): máquinas que conversam e interagem com humanos.

  • Robótica socialmente assistiva (SAR): combinação das duas anteriores, com foco em bem-estar por meio da interação.

++ Bitcoin cai abaixo de US$ 90 mil e apaga ganhos do ano em meio a nova onda de vendas

Um debate ético que só cresce

Com a evolução dessas tecnologias, cresce também a preocupação sobre perda de empregos. Para o engenheiro Marcelo Gaiotto, da PUCPR, a substituição já começou — mas dentro de limites.
“Robôs já realizam tarefas repetitivas e perigosas. A substituição total em funções que exigem empatia, criatividade ou julgamento moral é improvável no futuro próximo”, analisa.

A aparência também importa. Robôs humanaides que se aproximam demais da nossa estética, mas sem naturalidade nos gestos, podem causar repulsa e estranhamento — o chamado “vale da estranheza”. A indústria tenta suavizar esses efeitos, mas ainda enfrenta resistência.

Outro ponto crítico envolve os impactos emocionais da convivência diária. “A interação constante pode criar ambientes fantasiosos, nos quais o usuário confunde realidade e a imagem criada pelo robô”, alerta Gaiotto.

++ Como a planta-dionéia ataca insetos

A convivência é segura?

Apesar de receios sobre falhas e autonomia exagerada, especialistas afirmam que os sistemas atuais contam com camadas de proteção. Travas de segurança, protocolos internos e dispositivos de desligamento automático reduzem a chance de comportamentos inesperados.

“Os robôs atuais têm segurança suficiente para operar tranquilamente. Existem mecanismos que impedem ações que coloquem humanos em risco. Esse desafio está amplamente superado”, afirma Cruz.

Mesmo com tantas dúvidas, a tendência é que os humanoides continuem avançando. Assim como outras inovações tecnológicas, eles devem chegar primeiro em ambientes específicos — como casas de repouso, hospitais e fábricas — e, gradualmente, conquistar espaço em nossa rotina.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias