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quarta-feira, setembro 16, 2026

Por que “parassocial” virou a palavra do ano do Dicionário Cambridge em 2025

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O Dicionário Cambridge escolheu “parassocial” como a Palavra do Ano de 2025, destacando um fenômeno que se tornou central na cultura contemporânea: a sensação de intimidade que pessoas desenvolvem com celebridades, personagens fictícios e até inteligências artificiais — mesmo sem qualquer reciprocidade. Segundo o editor-chefe Colin McIntosh, o termo sintetiza com precisão o clima social de 2025.

Usado como adjetivo, “parassocial” descreve uma relação totalmente unilateral. É quando um fã acredita conhecer profundamente um artista ou quando um usuário passa a conversar com um chatbot como se ele tivesse consciência própria. A definição do Cambridge foi atualizada em setembro para incluir o vínculo crescente com assistentes de IA como ChatGPT, Gemini, Grok e plataformas da Meta.

Embora tenha viralizado recentemente, o conceito é antigo. Foi formulado em 1956 pelos sociólogos Donald Horton e Richard Wohl, da Universidade de Chicago, que observaram telespectadores tratando apresentadores de TV como amigos. E mesmo antes disso, no século 19, leitores já criavam laços emocionais com escritores. O que era um termo acadêmico tornou-se agora parte do vocabulário popular.

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Celebridades e IA impulsionam o uso da palavra

As buscas por “parassocial” explodiram em 2025. Um dos principais aceleradores foi o anúncio de noivado de Taylor Swift com o jogador Travis Kelce. A repercussão levou muitos fãs a reagirem como se acompanhassem a trajetória de uma amiga próxima, o que fez a palavra disparar no Google e no próprio Cambridge.

O termo voltou a circular após o youtuber IShowSpeed bloquear um seguidor que se definia como seu “parassocial número 1”. Paralelamente, o aumento de conversas pessoais entre usuários e inteligências artificiais também contribuiu para a popularização. Muitos passaram a solicitar mensagens afetivas dos chatbots e até a tratá-los como terapeutas.

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Especialistas alertam para vínculos pouco saudáveis

A professora Simone Schnall, da Universidade de Cambridge, aponta que relações parassociais intensas podem criar uma falsa sensação de proximidade e confiança. Segundo ela, isso favorece comportamentos de lealdade extrema tanto com influenciadores quanto com assistentes virtuais.

O tema já chegou ao Congresso dos Estados Unidos, que pressiona empresas de tecnologia a implementar salvaguardas para evitar relações parassociais prejudiciais entre menores de idade e sistemas de IA.

Além de “parassocial”, o Cambridge destacou outras palavras relevantes de 2025, como “slop” (conteúdo de IA de baixa qualidade), “pseudonimização” e “memeify”. O dicionário acrescentou ainda seis mil novos termos ligados à cultura digital, incluindo “skibidi”, “delulu” e “tradwife”.

Outros dicionários também divulgaram suas escolhas. O Collins, por exemplo, selecionou “vibe coding”, que se refere ao uso de sistemas de inteligência artificial para gerar código automaticamente.

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