Paul McCartney aderiu a um movimento inusitado no Reino Unido que denuncia o uso de obras musicais por empresas de inteligência artificial sem pagamento de direitos autorais. O ex-Beatle integra o álbum Is This What We Want?, lançado por mais de mil artistas e bandas, que reúne faixas completamente silenciosas como forma de protesto simbólico.
A iniciativa critica empresas de tecnologia que utilizam músicas e outros produtos culturais para treinar algoritmos sem compensar criadores e titulares das obras. Organizado pelo músico e ativista Ed Newton-Rex, o projeto busca pressionar o governo britânico a rever propostas que, segundo os artistas, poderiam ampliar esse tipo de uso sem autorização prévia.
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O álbum conta com adesões de peso, como Kate Bush, Cat Stevens, Jamiroquai, Tori Amos e Annie Lennox. Newton-Rex afirmou que McCartney enviou uma faixa silenciosa inédita especialmente para o vinil. A mensagem, diz ele, é direta: o governo “não deve legalizar o roubo de música para beneficiar empresas de IA”.
O debate sobre o uso de obras protegidas para treinamento de sistemas de IA vem crescendo no mundo todo. Algumas propostas envolvem exigir consentimento dos criadores, estabelecer remuneração coletiva ou permitir que artistas optem formalmente por não ter seus trabalhos utilizados.
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Em outro ponto do debate, há quem defenda que o treinamento de modelos poderia se enquadrar em exceções legais, como o fair use, dependendo da jurisdição.
A União Europeia já avançou em regulamentação com o AI Act, aprovado em 2024. Embora a norma não trate diretamente de pagamento de direitos autorais, exige transparência: empresas devem divulgar um resumo claro do material usado no treinamento de seus modelos — passo visto por especialistas como capaz de influenciar a dinâmica da indústria nos próximos anos.
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