Em uma tentativa urgente de aliviar a poluição extrema que cobre Delhi, o governo regional indiano iniciou nesta quinta-feira (24) um teste de semeadura de nuvens com drones. A estratégia, considerada controversa, busca provocar chuvas artificiais para dispersar a densa camada de partículas tóxicas que tomou conta da capital após o festival hindu de Diwali.
O ministro do Meio Ambiente de Delhi, Manjinder Singh Sirsa, confirmou que o primeiro voo experimental foi realizado com drones liberando iodeto de prata, substância usada para estimular a formação de gotas de água no interior das nuvens. A expectativa é que, se as condições meteorológicas permitirem, a cidade registre sua primeira chuva artificial já na próxima quarta-feira (29).
A técnica consiste em inserir partículas que imitam estruturas de gelo nas nuvens, facilitando a condensação e aumentando a probabilidade de precipitação — um método já utilizado em outros países, mas cuja eficiência varia amplamente.
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Diwali agravou a crise de poluição
A situação do ar em Delhi, historicamente crítica, se deteriorou rapidamente após as celebrações de Diwali, marcadas por intensa queima de fogos de artifício. A explosão de fumaça tóxica elevou os índices de poluentes a níveis considerados perigosos para a saúde humana, deixando a cidade submersa em uma névoa marrom persistente.
Diante do cenário, o governo decidiu avançar com a medida experimental. No entanto, especialistas ressaltam que a semeadura não resolve a raiz do problema.
Críticas à iniciativa
Pesquisadores como Shahzad Gani e Krishna AchutaRao, do Centro de Ciências Atmosféricas de Delhi, alertam que a técnica é incapaz de enfrentar as principais fontes da poluição local:
- queima de resíduos agrícolas;
- emissões industriais;
- frota massiva de veículos movidos a combustão.
Além das limitações práticas — como a exigência de nuvens adequadas, frequentemente ausentes no inverno — há preocupações quanto ao uso contínuo de compostos como iodeto de prata e seus efeitos na agricultura, no solo e na saúde humana.
Delhi já investiu em soluções alternativas de resultado duvidoso, como as chamadas torres de fumaça, instaladas no governo anterior, sem impacto significativo na qualidade do ar.
A cidade mais poluída do mundo
Delhi mantém o título de cidade mais poluída do planeta há mais de uma década. Só em 2024, os níveis de partículas PM2.5 e PM10 cresceram 6% em relação ao ano anterior, superando marcas históricas de centros urbanos como Pequim.
Cientistas insistem que avanços duradouros dependem de medidas estruturais — entre elas, controle rigoroso das emissões industriais, políticas de transporte mais sustentáveis e ações integradas entre estados e governo federal.
Enquanto isso, a tentativa de produzir chuva artificial com drones se torna o mais novo capítulo da luta da Índia para respirar.
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