Uma operação da Polícia Federal (PF) revelou a existência de uma sofisticada linha de produção de armas de guerra instalada dentro de uma empresa de metalurgia no interior de São Paulo. A investigação descobriu que a estrutura, localizada em Santa Bárbara d’Oeste, era usada para fabricar componentes de fuzis automáticos sob o disfarce de uma fábrica de peças aeronáuticas.
O esquema funcionava à noite nas dependências da empresa Kondor Fly Parts Indústria e Comércio de Peças Aeronáuticas, de propriedade de Gabriel Carvalho Belchior, atualmente foragido e incluído na lista de procurados da Interpol. De acordo com o inquérito, Belchior teria autorizado o uso da estrutura industrial para a produção ilegal, enquanto outros membros do grupo cuidavam da operação e da logística.
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Entre os envolvidos estão Anderson Custódio Gomes e Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo, presos em flagrante durante a ação da PF, além de Wendel dos Santos Bastos, que respondia em liberdade e era responsável pela compra de insumos e pela distribuição das armas.
A quadrilha utilizava máquinas de Controle Numérico Computadorizado (CNC) — equipamentos típicos da indústria aeronáutica — para projetar e usinar as peças de fuzis do tipo AR-15. Segundo os investigadores, os componentes eram montados em um imóvel no município vizinho de Americana, onde foram apreendidos 35 conjuntos de peças de fuzis, silenciadores e caixas de materiais metálicos.
Os relatórios da PF apontam que as armas eram vendidas a intermediários ligados a facções criminosas do Rio de Janeiro, Bahia e Ceará, com valores que variavam entre R$ 8 mil e R$ 15 mil por unidade. Parte da produção teria sido destinada ao Comando Vermelho (CV), enquanto arquivos digitais encontrados nas máquinas faziam referência também ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
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De acordo com a apuração, o grupo pagava R$ 69 mil mensais pelo arrendamento da fábrica e usava contas de terceiros para movimentar o dinheiro obtido com as vendas, dificultando o rastreamento financeiro.
A operação, deflagrada em agosto deste ano e conduzida pelo delegado Jeferson Dessotti Cavalcante Di Schiavi, da PF de Campinas, contou com o apoio do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e resultou na apreensão de maquinário, armas em montagem e documentação técnica detalhada.
A PF agora investiga a conexão entre o núcleo paulista e células do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, responsáveis por distribuir o armamento para comunidades controladas por facções e grupos paramilitares.
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