Os sapos-comuns-asiáticos (Duttaphrynus melanostictus), encontrados no sudeste da Ásia, passam quase todo o ano discretos, com a pele marrom que os ajuda a se camuflar nas margens de rios e poças. Mas, em um curto intervalo de dois dias, algo extraordinário acontece: os machos assumem uma coloração amarelo-viva que transforma completamente sua aparência.
Essa transformação, observada há décadas por cientistas, finalmente teve seu real propósito confirmado. Um estudo publicado na revista Ichthyology & Herpetology revelou que a mudança de cor serve como uma forma de comunicação entre os machos durante o período de acasalamento.
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Segundo os pesquisadores, o amarelo atua como um “sinal de aviso” visual. “O momento da reprodução é muito curto, e o amarelo é uma forma de dizer aos outros machos: não tente acasalar comigo”, explicou a cientista Susanne Stückler, uma das autoras do estudo.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas criaram modelos artificiais de sapos — um marrom e outro amarelo — e os colocaram próximos de machos durante a época reprodutiva. O resultado foi claro: os anfíbios tentaram copular 40 vezes mais com os modelos marrons, confirmando que a coloração amarela funciona como uma barreira visual para evitar disputas e confusões entre indivíduos.
O fenômeno ocorre com a chegada das primeiras chuvas das monções, quando os sapos se reúnem em poças recém-formadas para o breve ciclo reprodutivo. Após a postura dos ovos pelas fêmeas, o amarelo desaparece rapidamente: os níveis hormonais voltam ao normal, e os machos recuperam o tom marrom original.
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Diferente dos camaleões, cuja cor muda por estímulos nervosos, os sapos alteram sua pigmentação por meio de células especiais sob a pele que reorganizam pigmentos e refletores de luz.
Embora seja um espetáculo natural essencial para a perpetuação da espécie, os cientistas alertam que o equilíbrio desse ciclo está ameaçado. Mudanças climáticas e alterações no regime das chuvas podem comprometer a sincronia desse comportamento, colocando em risco a reprodução dos sapos e, consequentemente, sua sobrevivência.
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