A militante histórica Clara Charf, referência na luta pelos direitos civis e pela redemocratização do Brasil, morreu nesta segunda-feira (3/11), aos 100 anos. Companheira de vida e de ideais de Carlos Marighella, Clara dedicou sua trajetória à defesa da liberdade, da justiça social e da igualdade entre homens e mulheres.
Filha de imigrantes judeus, nascida em 17 de julho de 1925, ela ingressou no movimento político ainda jovem, aos 21 anos, quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). O engajamento a levou a enfrentar perseguições durante a ditadura militar, período em que foi obrigada a deixar o país após o assassinato de Marighella, em 1969.
Exilada em Cuba, Clara permaneceu fora do Brasil por uma década. Ao retornar, participou da criação do Partido dos Trabalhadores (PT), reforçando seu compromisso com a organização popular e o fortalecimento da democracia.
Até seus últimos anos, manteve-se ativa em causas ligadas aos direitos humanos e à memória das lutas contra o autoritarismo. “A gente nunca pode desistir da esperança, mesmo quando tudo parece perdido”, dizia em entrevistas.
Quem foi Carlos Marighella
Nascido em Salvador (BA), Carlos Marighella foi um dos principais nomes da resistência armada ao regime militar brasileiro. Ex-deputado federal eleito em 1946 pelo PCB, teve o mandato cassado dois anos depois, com a volta da ilegalidade do partido.
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Fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), Marighella foi morto em 1969, em São Paulo, durante uma emboscada armada por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).
Seu legado, assim como o de Clara Charf, permanece como símbolo da luta pela liberdade e pela justiça social no país.
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