O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta terça-feira (28) que pediu ao governo federal a transferência imediata de 10 líderes do crime organizado para presídios federais de segurança máxima. A medida, segundo ele, faz parte de um esforço para conter a influência de facções criminosas que continuam a atuar de dentro dos presídios estaduais.
O pedido ocorre após a maior operação policial da história do Rio, que deixou 64 mortos e 81 presos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital. Em vídeo publicado nas redes sociais, Castro afirmou ter recebido relatórios da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária identificando os chefes que ainda coordenam o tráfico e ataques contra forças de segurança.
“Eu recebi agora das polícias civil e penal um relatório das 10 maiores lideranças que estão de dentro das nossas cadeias, ajudando a provocar todo esse terror. Eu tomei a decisão de pedir ao governo federal 10 vagas para transferência imediata desses criminosos de maior periculosidade. Vamos tirar esses criminosos e devolver a paz para o Rio de Janeiro”, disse o governador.
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Operação mais letal da história do estado
A ofensiva, que mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), teve como objetivo cumprir 51 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV) e frear o avanço territorial da facção em comunidades estratégicas.
Durante os confrontos, criminosos lançaram bombas e drones com explosivos contra os policiais. Ao todo, foram apreendidos 75 fuzis, munições e artefatos explosivos.
Entre os mortos estão quatro policiais — dois civis e dois militares: Marcos Vinicius Cardoso Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara; Rodrigo Velloso Cabral, de 34; e os agentes do Bope Cleiton Serafim Gonçalves e Herbert.
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Disputa política e segurança pública
Em entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), Castro afirmou que não solicitou apoio federal para a megaoperação, alegando que o estado teve três pedidos negados para o uso de blindados das Forças Armadas.
“Tivemos pedidos negados três vezes. Para emprestar o blindado, tinha que ter GLO (Garantia da Lei e da Ordem), e o presidente é contra a GLO. Cada dia é uma razão para não colaborar”, afirmou.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do MPRJ denunciou 67 pessoas por associação para o tráfico, sendo três também por tortura. A 42ª Vara Criminal da Capital aceitou a denúncia e expediu os mandados de prisão.
Segundo o Ministério Público, os líderes das facções — entre eles Doca, Pedro Bala, Gardenal e Grandão — controlam a venda de drogas, escalas de vigilância e execuções internas, mantendo o comando do crime mesmo sob custódia.
A transferência dos chefes para presídios federais é vista pelo governo estadual como uma resposta imediata à escalada de violência e à demonstração de poder das facções nas últimas semanas.
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