Quase todo mundo já experimentou o desconforto de ouvir unhas arranhando uma lousa. O som estridente e irregular provoca arrepios imediatos, como se o corpo reagisse por instinto. A ciência mostra que não se trata apenas de incômodo psicológico, mas de uma resposta fisiológica rápida e involuntária.
Esse reflexo, chamado piloereção, faz com que os pelos se arrepiem a partir da contração de pequenos músculos na pele, mecanismo controlado pelo sistema nervoso autônomo — o mesmo que regula respiração e batimentos cardíacos. Originalmente, esse recurso ajudava nossos ancestrais a se aquecerem ou parecerem maiores diante de uma ameaça. Hoje, ainda é ativado em situações de frio, medo, emoção intensa ou estímulos sonoros desagradáveis.
A frequência que incomoda
Pesquisadores identificaram que sons entre 2.000 e 4.000 hertz — faixa de maior sensibilidade do ouvido humano — estão por trás da sensação. Unhas arranhando a lousa, giz raspando no quadro ou talheres batendo em pratos se encaixam nesse espectro, provocando repulsa quase instantânea.
O cérebro interpreta esses estímulos como um possível sinal de perigo. Alguns cientistas associam o fenômeno a uma herança evolutiva: frequências semelhantes aparecem em gritos de alerta de primatas. Assim, o incômodo seria um mecanismo de defesa, ativando áreas ligadas ao estresse e à emoção.
++ Paciente recebe rim trocado em Natal e transplante precisa ser desfeito
Por que varia de pessoa para pessoa
Embora o arrepio seja comum, nem todos reagem da mesma forma. Fatores como sensibilidade auditiva, experiências pessoais e até traços de ansiedade influenciam a intensidade da resposta. Para alguns, basta imaginar o som para sentir desconforto real, sem que ele precise acontecer de fato.
++ Pesquisa aponta que veto a celulares melhora foco, mas amplia ansiedade em estudantes
Outros tipos de arrepio
Nem todo arrepio é desagradável. Quando provocado por música emocionante ou momentos de euforia, por exemplo, ele ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e gerando prazer. Já no caso de sons agudos e imprevisíveis, a resposta é a mesma no corpo, mas com uma carga emocional negativa.
No fim das contas, o arrepio ao ouvir unhas na lousa é um lembrete de que nosso cérebro e corpo ainda carregam reflexos ancestrais, moldados para nos proteger de possíveis ameaças — mesmo que hoje elas venham apenas de um quadro de sala de aula.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



