
Um grupo de médicos brasileiros desenvolveu um implante ortopédico inovador, batizado de Haste Intramedular Perpendicular Autocompressiva, para tratar fraturas no colo do fêmur — uma das lesões mais graves e incapacitantes, especialmente entre idosos. Ao contrário dos modelos atuais, adaptados de outras aplicações, o novo dispositivo foi criado especificamente para esse tipo de fratura.
A tecnologia já está licenciada para produção nacional, com prioridade de fornecimento à rede pública de saúde. Os testes clínicos estão em andamento em hospitais de referência de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Até o momento, 12 pacientes foram operados com resultados animadores, segundo o ortopedista Anderson Freitas, um dos inventores e coordenador dos estudos clínicos. Os pacientes apresentaram mobilização precoce, boa tolerância à dor e início rápido da caminhada com apoio.
O implante se destaca por duas características principais: flexibilidade no posicionamento, que permite ao cirurgião ajustar a haste conforme o tipo de fratura, e o sistema de autocompressão, que aproxima as bordas do osso quebrado, acelerando a cicatrização. Por ser minimamente invasiva, a técnica proporciona menos dor no pós-operatório, menor necessidade de analgésicos e internações mais curtas.
Desenvolvido em parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a empresa Hexagon, o projeto passou por dois anos e meio de testes laboratoriais e obteve registro da Anvisa em 2023. A expectativa é que o implante esteja disponível em larga escala no Brasil a partir de 2026, com prioridade para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A inovação promete melhorar significativamente o tratamento de fraturas no colo do fêmur, beneficiando tanto idosos quanto jovens vítimas de acidentes. Para a Hexagon, o diferencial está em oferecer uma solução nacional, pouco invasiva e adaptada às necessidades específicas dessa lesão.



