
Pesquisadores japoneses observaram um comportamento curioso nas pardelas-listradas (Ardenna grisea): essas aves marinhas defecam repetidamente enquanto voam sobre o oceano. O fenômeno, que pode ocorrer várias vezes por hora, está ligado ao metabolismo acelerado dessas aves e à sua dieta rica em proteínas.
De acordo com especialistas, a alta produção de ácido úrico — principal forma de excreção de nitrogênio nas aves — exige uma eliminação constante para evitar sobrecarga nos rins e intoxicação. Além disso, carregar fezes significaria um peso extra, o que aumentaria o gasto energético durante os longos voos migratórios que essas aves realizam pelos oceanos.
A professora de biologia Rosely Soares explica que o metabolismo elevado é essencial para manter a temperatura corporal e suprir a demanda energética durante os voos prolongados. A anatomia das aves também é adaptada para tornar a defecação um processo rápido e eficiente, sem comprometer o equilíbrio no ar. Outras espécies marinhas, como albatrozes, atobás e petréis, apresentam comportamento semelhante.
Além da função fisiológica, o guano (fezes das aves marinhas) possui um papel ecológico importante. Rico em nitrogênio e fósforo, ele atua como fertilizante natural ao cair no mar, enriquecendo a água e estimulando o crescimento de fitoplâncton — microalgas essenciais para a cadeia alimentar marinha. Em regiões com grande concentração de aves, esse aporte de nutrientes pode provocar pequenos “blooms” de microalgas, segundo a professora Camila Braga.
Contudo, em ecossistemas mais sensíveis, como os recifes de coral, o excesso de nutrientes pode favorecer algas que competem com os corais, alterando a estrutura local e impactando a fauna marinha.
Interessantemente, quando pousadas na água, essas aves quase não defecam, estratégia que ajuda a manter as penas limpas e impermeáveis, além de evitar odores que poderiam atrair predadores.



