
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, classificou como “uma ameaça muito séria” à economia global a tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interferir no Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. A declaração foi dada após Trump anunciar a demissão de Lisa Cook, diretora do Fed, acusando-a de fraude em hipotecas.
Cook reagiu acionando a Justiça, argumentando que o presidente não tem autoridade para removê-la do cargo, o que pode levar o caso à Suprema Corte dos EUA. Lagarde expressou preocupação com a estabilidade econômica global, destacando que a independência do Fed é essencial para manter o controle da inflação e o pleno emprego nos EUA, a maior economia do mundo.
Apesar da gravidade do cenário, Lagarde acredita que Trump encontrará “muita dificuldade” para efetivar qualquer interferência direta na autoridade monetária. O próprio Fed saiu em defesa de Lisa Cook, afirmando que seus diretores têm mandatos fixos de 14 anos e só podem ser destituídos por justa causa, conforme previsto no Federal Reserve Act, de 1913.
Além disso, Lagarde comentou sobre a situação econômica na Europa, afirmando que a estabilidade de preços na zona do euro foi alcançada. Ela garantiu que o BCE continuará tomando medidas necessárias para manter a inflação sob controle, cuja meta é de 2% ao ano. O mercado acredita que a taxa básica de juros, atualmente em 2%, deve ser mantida na próxima reunião do BCE, já que os riscos inflacionários estão “amplamente equilibrados”.



