Um erro administrativo colocou dois homens em uma situação inusitada e cheia de transtornos por 20 anos: ambos, chamados Gilmar José da Silva, nasceram em 11 de setembro de 1963 e acabaram registrados com o mesmo número de CPF. Um deles vive em Maringá (PR), o outro em Arroio do Tigre (RS).
A duplicidade foi descoberta em 2005, quando começaram a surgir problemas ligados a benefícios do INSS. O paranaense se aposentou por tempo de contribuição, enquanto o gaúcho por acidente de trabalho. No entanto, por dividirem o mesmo documento, tiveram pagamentos contestados, descontos indevidos e até negativas de crédito. “Já perdi três meses de aposentadoria e tive dinheiro retirado da minha conta”, relatou o Gilmar de Maringá.
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O impasse também afetou familiares. Uma sobrinha do Gilmar gaúcho chegou a ter a conta bancária bloqueada após movimentar valores para o tio, sob suspeita de fraude. Segundo ela, a confusão trouxe “um incômodo sem tamanho” para toda a família.
Mesmo com consultas a advogados, registros de boletins de ocorrência e tentativas junto à Receita Federal e ao INSS, a situação se arrastou por anos sem solução definitiva. Somente em 11 de agosto de 2025 a duplicidade foi oficialmente confirmada, quando um dos aposentados identificou movimentações bancárias em seu CPF vinculadas ao homônimo.
A suspeita é que o problema tenha ocorrido no momento da emissão inicial do documento, quando não houve conferência do nome das mães — informação essencial para diferenciar registros.
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Agora, a Receita Federal já emitiu um novo CPF para o Gilmar do Rio Grande do Sul, e a família providencia a atualização de todos os documentos. O INSS também foi comunicado e aguarda as alterações para regularizar os benefícios.
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