No marco dos 80 anos do bombardeio atômico sobre Hiroshima e Nagasaki, o papa Leão XIV fez um apelo contundente pelo desarmamento nuclear. Em carta enviada nesta terça-feira (5) ao bispo de Hiroshima, dom Alexis Mitsuru Shirahama, o pontífice afirmou que armas desse tipo “ofendem a nossa comum humanidade” e pediu que as nações abandonem arsenais “capazes de causar catástrofes”.
O líder da Igreja Católica classificou as cidades japonesas como “símbolos de memória” em um momento de “crescente tensão e conflito global” e expressou solidariedade aos sobreviventes dos ataques lançados pelos Estados Unidos no final da Segunda Guerra Mundial. Para ele, as armas nucleares traem a dignidade da criação e rompem com a responsabilidade coletiva de preservar a harmonia da vida.
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Apesar do apelo do papa, o cenário mundial mostra tendência contrária. Segundo relatório da Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN), os nove países que possuem ogivas nucleares investiram mais de US$ 100 bilhões em armamentos do tipo somente no último ano — o equivalente a cerca de US$ 190 mil por minuto.
O alerta também ecoa nas Nações Unidas, que já em 2023 advertiu que o risco de um confronto nuclear é o maior desde a Guerra Fria, impulsionado por tensões geopolíticas envolvendo grandes potências.
Nos últimos dias, a situação se agravou após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o reposicionamento de submarinos nucleares em áreas próximas à Rússia. A medida teria sido uma resposta direta a ameaças recentes feitas por Dmitry Medvedev, ex-presidente russo e atual integrante do Conselho de Segurança do país.
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Em meio a esse cenário, o apelo de Leão XIV surge como um chamado à responsabilidade moral das lideranças mundiais. “Estamos diante de uma encruzilhada em que a destruição ou a paz dependem das escolhas humanas. Que Hiroshima nunca mais se repita — em nenhuma parte do mundo”, concluiu o pontífice.
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