A decisão do ministro Alexandre de Moraes de decretar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro acendeu um sinal de alerta no Palácio do Planalto. Para a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a medida deve agravar ainda mais o clima de tensão com o Congresso Nacional, justamente no momento em que os parlamentares retomam os trabalhos após o recesso.
Nos bastidores, a avaliação é de que a oposição bolsonarista, já mobilizada desde a imposição das primeiras medidas cautelares contra o ex-presidente, poderá adotar uma postura ainda mais radical, criando obstáculos para a agenda legislativa do Executivo. A preocupação se estende ao Centrão, que, mesmo não alinhado diretamente com Bolsonaro, poderia aderir ao movimento em repúdio à decisão do STF — sobretudo após a determinação de que o senador Marcos do Val (Podemos-ES) também utilize tornozeleira eletrônica.
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Para o governo, a conjuntura abre espaço para a construção de uma narrativa de perseguição contra Bolsonaro, o que pode fortalecer a base mais fiel da direita e reacender manifestações políticas em todo o país. Esse risco é potencializado pelo apoio declarado do governo Trump, que impôs sanções ao Brasil como forma de pressionar o STF a recuar.
Embora o Planalto enxergue uma vantagem simbólica no isolamento político e digital do ex-presidente — agora proibido de usar redes sociais, dar declarações e receber visitas não autorizadas —, auxiliares de Lula reconhecem que o gesto do Supremo pode dar a Bolsonaro o papel de vítima ou até mesmo de mártir.
A preocupação maior recai sobre votações sensíveis, como o projeto que amplia a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, a revisão dos benefícios fiscais e uma proposta de emenda à Constituição voltada à reformulação da segurança pública. Essas medidas são prioritárias para o governo na atual legislatura e exigem maioria expressiva no Congresso.
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Outros projetos em pauta, como a regulamentação das big techs, também podem ser impactados. A proposta ganhou novo fôlego nas últimas semanas, mas está diretamente envolvida no embate com empresas de tecnologia estrangeiras — um dos motivos apontados pelo ex-presidente Donald Trump para o aumento de tarifas contra o Brasil.
Em resposta à decisão de Moraes, a oposição convocou uma coletiva para esta terça-feira (5), na rampa do Congresso Nacional, em Brasília. O evento deve marcar o início de uma nova fase de enfrentamento entre os aliados de Bolsonaro e o Judiciário, com reflexos diretos sobre a governabilidade e o equilíbrio institucional.
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