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quarta-feira, setembro 16, 2026

Brasil corre contra o tempo para evitar tarifaço de Trump e tenta apelar à Casa Branca

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Com o relógio correndo rumo à entrada em vigor do novo tarifaço dos Estados Unidos, o governo brasileiro intensifica as articulações diplomáticas e políticas na tentativa de reverter ou adiar o aumento de 50% nas tarifas sobre produtos nacionais. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, começa a valer já nesta sexta-feira (1º).

Em Nova Iorque, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, aproveitou sua participação na conferência da ONU sobre a guerra em Gaza para buscar interlocução com representantes da Casa Branca. Ele se colocou à disposição para uma reunião com autoridades do governo norte-americano, mas até o momento não obteve resposta oficial.

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Enquanto isso, uma comitiva formada por oito senadores percorre Washington em busca de apoio político e empresarial contra as sanções comerciais. O grupo, liderado por Nelsinho Trad (PSD-MS), se reuniu com membros da Câmara de Comércio Brasil-EUA, que sugeriram o envio de uma carta ao governo norte-americano solicitando a postergação das tarifas. No entanto, o setor empresarial demonstrou ceticismo quanto à eficácia da iniciativa.

O cenário é desafiador. Países como Japão, Vietnã, Indonésia e Reino Unido conseguiram negociar condições mais brandas, com tarifas que variam entre 10% e 20%, em troca de concessões econômicas e comerciais. O Brasil, por ora, não obteve sinal verde para qualquer tipo de negociação bilateral.

Paralelamente, parlamentares brasileiros tentam costurar uma abertura de diálogo direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O senador Jaques Wagner (PT-BA), também na comitiva, teria sugerido um encontro entre os dois líderes. Lula já demonstrou disposição para conversar, mas também aproveitou evento no Rio de Janeiro para criticar o suposto interesse norte-americano nas reservas brasileiras de terras raras.

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Nas redes sociais, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) cobrou ação mais direta do presidente. “Já passou da hora de Lula pegar o telefone e falar com Trump. A ideologia não pode falar mais alto que o bom senso”, escreveu.

A comitiva do Senado busca despolitizar as negociações e manter o foco nos impactos econômicos da medida. Internamente, no entanto, os parlamentares apontam que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, estaria agindo nos bastidores para minar os esforços brasileiros em Washington, mobilizando contatos políticos e fazendo críticas públicas à iniciativa.

Com poucos dias restantes até a entrada em vigor das novas tarifas, o Brasil busca seu último trunfo para evitar prejuízos bilionários às exportações nacionais.

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