Com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) impedido de circular livremente, usar redes sociais e participar de atos políticos, lideranças do centrão e da direita enxergam uma abertura inédita para o reposicionamento de nomes conservadores de olho em 2026. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs medidas cautelares a Bolsonaro, alterou os planos de sucessão no campo da direita, antecipando movimentações que só seriam esperadas para o ano eleitoral.
Para figuras influentes do centrão, o cenário se desenha como uma avenida livre para possíveis presidenciáveis, já que Bolsonaro, mesmo sem uma condenação definitiva, se vê limitado a permanecer em sua residência em Brasília das 19h às 6h durante a semana e em tempo integral nos fins de semana. Além disso, está proibido de interagir com aliados políticos, incluindo o próprio filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e de frequentar representações diplomáticas.
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Na avaliação dessas lideranças, a impossibilidade de Bolsonaro atuar politicamente abre espaço para que outros nomes consolidem suas pré-candidaturas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desponta como favorito no campo conservador, embora não tenha formalizado interesse em disputar o Palácio do Planalto. No entorno do gestor paulista, aliados se dividem entre incentivá-lo a concorrer à Presidência ou seguir rumo à reeleição no governo estadual.
Outros pré-candidatos já se movimentam. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), prepara o lançamento oficial de sua pré-campanha para o dia 16 de agosto. Também figuram na disputa os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Junior (PSD-PR), que buscam atrair apoio de setores tradicionalmente bolsonaristas.
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Dentro do próprio PL, a sucessão interna gera disputas. Eduardo Bolsonaro tenta se apresentar como herdeiro político do pai, mas enfrenta a concorrência de Michelle Bolsonaro, que tem se destacado à frente do segmento feminino do partido. Apesar das especulações, aliados próximos ainda consideram improvável que Bolsonaro abra mão de protagonismo. Mesmo fragilizado, deve atuar nos bastidores na tentativa de influenciar a escolha do nome que representará seu legado político.
As medidas impostas pelo STF são vistas como um divisor de águas. Até então, os cálculos eleitorais da direita giravam em torno da possibilidade de Bolsonaro se manter ativo ao menos até o fim de 2025. Com a antecipação desse “afastamento forçado”, os principais nomes do campo conservador precisam acelerar suas estratégias.
A avaliação interna é clara: com a ausência do maior nome da direita no jogo político, o terreno ficou aberto — e quem quiser ocupar o espaço deixado por Bolsonaro precisará correr.
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