A morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, vítima de câncer de intestino, reacendeu o alerta sobre o aumento de casos da doença entre pessoas mais jovens. Antes considerada mais comum em adultos a partir dos 50 anos, a incidência do câncer colorretal em indivíduos com menos de 50 tem crescido de forma preocupante nas últimas décadas, tanto no Brasil quanto no exterior.
O câncer de intestino, que atinge principalmente o cólon e o reto, se desenvolve a partir de pólipos — lesões benignas que podem evoluir para tumores malignos. Segundo especialistas, o avanço da doença entre os jovens está fortemente relacionado ao estilo de vida contemporâneo: alimentação pobre em fibras e rica em alimentos ultraprocessados, sedentarismo, consumo excessivo de carne vermelha e uso indiscriminado de antibióticos são alguns dos fatores apontados.
Um estudo publicado na revista Nature, em abril de 2024, também revelou que toxinas produzidas por determinadas bactérias intestinais — como a colibactina — podem provocar mutações genéticas ligadas ao início precoce do câncer. “Esses padrões de mutação funcionam como um registro genético e indicam exposição precoce à colibactina como um fator determinante”, explicou o biólogo computacional Ludmil Alexandrov, da Universidade da Califórnia em San Diego.
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Sinais que merecem atenção
Entre os sintomas que podem indicar câncer de intestino estão:
- Sangue nas fezes, com ou sem muco
- Alterações persistentes no hábito intestinal, como diarreia ou constipação recente
- Cólica abdominal frequente e sensação de inchaço
- Perda de peso inexplicada, anemia crônica e fadiga
Diagnóstico e prevenção
O diagnóstico precoce é crucial para aumentar as chances de cura, mas os sintomas muitas vezes são inespecíficos, o que dificulta a identificação da doença em estágios iniciais. Exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia são essenciais para rastrear alterações suspeitas no intestino.
A oncologista Marcela Crosara, do Hospital DF Star, destaca que é preciso superar o tabu em torno da colonoscopia. “Apesar de ser um exame invasivo, ele pode ser o primeiro passo para salvar vidas. O tratamento evoluiu, mas é o diagnóstico precoce que faz a diferença”, afirma.
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, o rastreamento deve começar aos 50 anos. No entanto, em casos de histórico familiar ou fatores de risco específicos, o acompanhamento deve ser iniciado mais cedo.
Como reduzir os riscos
Entre as principais recomendações preventivas estão:
- Praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana
- Ter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais
- Evitar alimentos ultraprocessados e o consumo frequente de carnes processadas
- Manter-se hidratado e evitar o álcool e o tabaco
- Controlar o peso corporal
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Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que, somente em 2019, cerca de 20 mil brasileiros morreram em decorrência do câncer de intestino. Especialistas alertam que, se diagnosticado precocemente, o tumor é tratável e curável na maioria dos casos. O desafio, porém, está em reconhecer os sinais e buscar acompanhamento médico antes que a doença avance.
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