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quarta-feira, setembro 16, 2026

Moraes reage a defensor de réu do 8 de Janeiro e encerra participação após embate em audiência

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Durante audiência realizada nesta quarta-feira (16), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se desentendeu com o advogado Jeffrey Chiquini, defensor de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro. O episódio ocorreu durante o depoimento do general Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), no âmbito do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A tensão começou quando Chiquini insistiu em questionar a testemunha sobre o número de agentes do GSI presentes no Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023 — data marcada pela invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Moraes interrompeu o advogado, acusando-o de transformar a audiência em um interrogatório e reafirmando que os envolvidos nos atos daquele dia não devem ser tratados como vândalos, mas como golpistas.

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Ao ser confrontado com a afirmação de que as imagens dos ataques seriam “claras”, Chiquini reagiu mencionando a suposta limitação de acesso da defesa às gravações. O ministro retrucou com veemência, interpretando as declarações como uma possível acusação de manipulação ou ocultação de provas.

“Quando os golpistas chegaram, porque não são vândalos, são golpistas condenados. As imagens são claras”, disse Moraes. Chiquini retrucou: “Quais imagens? As que desapareceram ou as que foram fornecidas de forma seletiva?”. A resposta levou Moraes a perguntar se o advogado estaria acusando alguém formalmente de esconder provas. Com a escalada do embate, o ministro declarou que já havia oficiado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sobre declarações anteriores do advogado e perguntou se ele desejava incluir novas autoridades em suas alegações.

Diante do clima hostil, Moraes cassou a palavra de Chiquini, encerrando sua participação na audiência. “Cassei a palavra, doutor. Por favor”, afirmou o ministro ao ser questionado sobre a medida.

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Mais cedo, o ministro também havia repreendido o advogado por tentar retomar discussões sobre o volume de provas disponíveis à defesa. Chiquini alegava cerceamento do contraditório, enquanto Moraes insistia que o tema já havia sido enfrentado anteriormente no processo. Ao tentar intervir durante a fala do magistrado, o advogado foi novamente advertido: “Enquanto eu falo o senhor fica quieto. Não vamos tumultuar”.

O episódio evidencia o ambiente tenso em torno das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro e reforça o embate entre o STF e advogados ligados à defesa de ex-integrantes do governo Bolsonaro.

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