Pesquisadores britânicos fizeram uma descoberta surpreendente sob o solo da Etiópia: pulsos rítmicos vindos do manto da Terra, que foram comparados a “batimentos cardíacos” do planeta. O fenômeno foi identificado na região de Afar, no nordeste do país africano, onde uma enorme pluma de material quente sobe das profundezas e interage diretamente com a crosta terrestre. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (25) na revista científica Nature Geoscience.
O estudo aponta que o manto abaixo de Afar não é estático. Ele pulsa de forma cíclica, transportando composições químicas distintas a cada “batida”. Esse movimento pode estar diretamente ligado à separação lenta das placas tectônicas na região, o que, segundo os cientistas, marca o início da formação de um novo oceano e da fragmentação do continente africano.
“A pluma de Afar pulsa como um coração, reagindo à espessura da crosta e à velocidade com que as placas estão se afastando”, explica o geólogo Tom Gernon, da Universidade de Southampton, coautor da pesquisa. Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram 130 amostras de rochas vulcânicas com menos de 2,6 milhões de anos e compararam sua composição com formações mais antigas, identificando padrões repetitivos na liberação de magma.
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Ao contrário de outras plumas que emergem sob os oceanos, a de Afar é uma das raras que atravessam a crosta continental, tornando-se mais espessa e instável. Isso a torna uma peça-chave para entender como o interior da Terra influencia diretamente o ambiente da superfície — incluindo o vulcanismo, terremotos e a deriva continental.
“Esses pulsos ascendem como jatos de material parcialmente derretido e são canalizados pelas rachaduras nas placas acima”, explica Emma Watts, pesquisadora da Universidade de Swansea e principal autora do artigo.
A descoberta reforça a ideia de que as profundezas da Terra estão em constante atividade e podem moldar o planeta de forma muito mais dinâmica do que se imaginava. O próximo passo dos pesquisadores é estudar a velocidade desses pulsos e como eles impactam a topografia da superfície.
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Fenômenos semelhantes já foram registrados em locais como as Ilhas Canárias, o que indica que esses “batimentos” podem estar ocorrendo em outras partes do globo. Segundo o pesquisador Derek Keir, também da Universidade de Southampton, a compreensão desses movimentos pode revolucionar o entendimento sobre a formação de oceanos, terremotos e vulcões.
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