Mesmo antes de compreender o que é dor, os bebês já são capazes de senti-la — é o que revela um novo estudo realizado por pesquisadores da University College London (UCL), no Reino Unido. A pesquisa analisou a atividade cerebral de 372 recém-nascidos e mostrou que a dor é percebida ainda nas primeiras semanas de vida, mesmo que o cérebro ainda não esteja totalmente desenvolvido para interpretá-la.
Publicado na revista científica Pain no último dia 18, o estudo identificou que, a partir da 34ª semana de gestação, o sistema nervoso dos bebês já é sensível a estímulos dolorosos. No entanto, só entre a 36ª e 38ª semana o cérebro começa a reagir à dor como algo desagradável. A interpretação completa da sensação, que envolve reconhecer a dor como uma ameaça e compreender sua origem, só se consolida após as 42 semanas.
“Nos recém-nascidos, o cérebro ainda não está pronto para unir todos os aspectos físicos, emocionais e cognitivos da dor, como acontece com adultos”, explicou Lorenzo Fabrizi, neurocientista da UCL e autor principal do estudo. Para ele, a dor infantil é real, mas vivida de forma fragmentada.
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A pesquisa também destaca um ponto crucial: bebês prematuros são especialmente vulneráveis. Segundo os autores, eles não se adaptam à dor mesmo após múltiplas exposições — algo observado em estudos anteriores. Isso acontece porque as áreas responsáveis pela interpretação e regulação da dor ainda não amadureceram, o que os torna mais sensíveis a procedimentos médicos repetitivos.
Os resultados reforçam a importância de se considerar cuidadosamente o manejo da dor em unidades neonatais, especialmente no caso de bebês prematuros. “Precisamos garantir que as intervenções sejam feitas com o máximo de cuidado, respeitando os estágios do desenvolvimento cerebral”, alertou Fabrizi.
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A descoberta contribui para debates sobre humanização dos cuidados neonatais e pode ajudar a melhorar protocolos médicos em hospitais e maternidades ao redor do mundo.
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