Uma descoberta promissora realizada por cientistas brasileiros pode transformar o tratamento do câncer de mama. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP (FCFRP-USP) identificaram compostos presentes no veneno de uma espécie de escorpião da Amazônia, o Brotheas amazonicus, com potencial para combater células tumorais.
O estudo revelou a existência de duas neurotoxinas com ação imunossupressora no veneno do animal. Entre elas, uma molécula batizada de BamazScplp1 chamou a atenção pela capacidade de destruir células de câncer de mama em testes laboratoriais.
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De acordo com a equipe, a ação da substância apresentou resultados comparáveis aos do paclitaxel — um dos quimioterápicos mais utilizados atualmente no combate à doença. Nos experimentos, o peptídeo extraído do veneno provocou a morte das células cancerígenas por necrose, um processo semelhante ao observado com toxinas de outros escorpiões já estudados para fins medicinais.
A descoberta reforça a importância de explorar a biodiversidade amazônica em busca de novas ferramentas terapêuticas. “São moléculas bioativas com grande potencial farmacêutico, que podem abrir caminhos para tratamentos mais eficientes e com menos efeitos colaterais no futuro”, destacam os pesquisadores.
Câncer de mama: um desafio de saúde pública
O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Dados do Ministério da Saúde indicam que a taxa de mortalidade no país é de 11,71 óbitos a cada 100 mil mulheres. O principal sinal da doença costuma ser o surgimento de um nódulo na mama, geralmente indolor, mas outros sintomas incluem alterações na pele, inversão do mamilo e secreções anormais.
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Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer, como idade, histórico familiar, obesidade, sedentarismo e exposição à radiação. Por isso, os especialistas reforçam a importância de hábitos saudáveis e, principalmente, do diagnóstico precoce para ampliar as chances de cura.
Os pesquisadores ressaltam que, apesar dos resultados animadores em laboratório, a nova molécula ainda precisa passar por diversas etapas de testes antes de chegar aos pacientes. A expectativa, no entanto, é que o veneno do escorpião da Amazônia possa futuramente integrar novas estratégias de combate ao câncer de mama.
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