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quarta-feira, setembro 16, 2026

Bolsonaro nega trama golpista em depoimento ao STF: “Golpe é abominável, não foi cogitado”

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Em depoimento à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou qualquer envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado para anular as eleições de 2022. Durante o interrogatório conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro declarou que “golpe é algo abominável” e assegurou que a possibilidade “não foi sequer cogitada” por ele ou por integrantes das Forças Armadas.

“Golpe até seria fácil de começar, mas o after day é imprevisível. O Brasil não poderia passar por uma experiência dessa”, disse o ex-presidente, que está entre os oito réus investigados por suposta articulação golpista, de acordo com denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O interrogatório, iniciado por volta das 14h30, teve início com um discurso político do ex-presidente. Bolsonaro traçou uma linha do tempo de sua carreira e voltou a defender o voto impresso, citando supostas declarações antigas de outras autoridades, como o atual ministro do STF Flávio Dino, que em 2010 teria questionado a lisura do processo eleitoral.

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“Não é uma pauta exclusiva minha. Conversei com o então presidente do TSE, Luiz Fux, e ele me disse que 5% dos votos seriam impressos e que o sistema iria avançar para 100%. Depois, o STF decidiu que era inconstitucional”, afirmou Bolsonaro.

Pela manhã, foram interrogados outros três nomes ligados ao caso: o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o general Augusto Heleno. Todos pertencem ao chamado “núcleo militar” da suposta trama, enquanto Bolsonaro integra o “núcleo central”.

O ex-presidente ainda tentou, sem sucesso, exibir vídeos durante o depoimento, o que foi negado por Alexandre de Moraes. Em outros momentos recentes, Bolsonaro chegou a fazer comentários irônicos, como ao “convidar” Moraes para ser seu vice em 2026, gesto que foi rebatido com seriedade pelo magistrado.

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A oitiva faz parte das apurações do inquérito que investiga a tentativa de abalar o Estado Democrático de Direito no país, após a derrota eleitoral de Bolsonaro em 2022.

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