Mais de 2,5 bilhões de adultos convivem com a obesidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número alarmante reflete uma realidade complexa, com implicações que vão muito além da aparência física. Especialistas alertam: perder peso não é apenas uma questão de comer menos e se exercitar mais.
Para o médico e pesquisador Reiner Jumpertz-von Schwartzenberg, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, a obesidade deve ser compreendida como uma condição multifatorial, que envolve genética, metabolismo, ambiente e saúde mental. “Fatores emocionais, como estresse e depressão, também desempenham papel central no ganho de peso”, afirma.
A rotina contemporânea, marcada pelo sedentarismo e pela abundância de alimentos ultraprocessados, cria o chamado “ambiente obesogênico”. Nesse cenário, o corpo é naturalmente inclinado a acumular gordura, o que agrava o risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e renais.
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A chave para enfrentar o problema de forma eficaz, segundo Jumpertz-von Schwartzenberg, é adotar uma abordagem multimodal, que combine ciência, apoio profissional e mudanças sustentáveis de estilo de vida. Psicólogos, nutricionistas e médicos devem trabalhar em conjunto, principalmente em casos de pré-diabetes, para evitar o avanço da doença.
“Perder peso, por si só, não é suficiente. É essencial controlar os níveis de açúcar no sangue para reduzir a gordura visceral, considerada a mais inflamatória e prejudicial à saúde metabólica”, explica.
Atividades físicas regulares, especialmente aeróbicas, associadas a dietas ricas em ácidos graxos poli-insaturados — como a mediterrânea — são indicadas para combater esse tipo de gordura.
Nos últimos anos, remédios originalmente voltados ao tratamento do diabetes, como os agonistas do receptor GLP-1, passaram a ser usados no combate à obesidade com resultados expressivos. Eles atuam na redução do apetite e no controle glicêmico.
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Mas o entusiasmo deve ser moderado. “Os efeitos costumam desaparecer com a interrupção do uso, e há riscos de efeitos colaterais. O acompanhamento médico é indispensável”, alerta o especialista.
Em casos de obesidade severa, a cirurgia bariátrica continua sendo uma alternativa eficaz e, muitas vezes, salvadora. Já há medicamentos em teste que tentam replicar os efeitos da cirurgia por meio da combinação de diferentes hormônios intestinais, mas ainda não estão disponíveis no mercado.
Apesar dos avanços, Jumpertz-von Schwartzenberg reforça: não existe solução única ou mágica. “O caminho mais sólido continua sendo a combinação entre alimentação equilibrada, exercícios físicos e suporte psicológico. A jornada é individual, e o sucesso exige constância, paciência e acompanhamento profissional.”
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