Um discurso inusitado no plenário da Câmara dos Deputados chamou atenção nesta terça-feira (20). Com uma boneca hiper-realista nos braços, o deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) decidiu se posicionar sobre o crescente uso das chamadas bebês reborn, que imitam com perfeição recém-nascidos humanos.
Durante a fala, o parlamentar garantiu que brincar com essas bonecas não é pecado, mas alertou para o risco de que o afeto exagerado por objetos de silicone desvie o olhar da sociedade das crianças reais em situação de abandono e miséria. “Não é errado ter carinho por uma boneca, mas não podemos esquecer das crianças de verdade, que passam fome e frio nos abrigos do país”, pontuou.
Isidório ironizou a busca de alguns donos de reborns por atendimento médico ou até bênçãos religiosas para os brinquedos. “Podem brincar, mas sem querer levar boneca para o SUS ou para o pastor abençoar. Isso é um exagero que não tem cabimento”, criticou.
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A fala do deputado acontece em meio a uma onda de propostas legislativas sobre o tema. O fenômeno das reborns, que antes era associado majoritariamente ao público infantil, vem ganhando adeptos adultos e despertando debates no Congresso.
A deputada federal Rosangela Moro (União-SP), por exemplo, apresentou recentemente um projeto de lei que prevê atendimento psicológico pelo SUS para pessoas que desenvolverem vínculos afetivos disfuncionais com essas bonecas. A proposta inclui escuta qualificada, apoio a familiares e a realização de estudos sobre o tema.
Em Cuiabá (MT), o vereador Rafael Ranalli (PL) protocolou uma iniciativa para proibir o atendimento médico a reborns na rede pública. O projeto prevê multas e até encaminhamento compulsório para acompanhamento psicológico dos responsáveis pelas bonecas.
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Já no Distrito Federal, o deputado Pastor Daniel de Castro (PP) sugeriu que esse tipo de atendimento só seja autorizado se houver recomendação expressa de profissionais da saúde, como nos casos de luto gestacional ou depressão pós-parto, quando as reborns são usadas como ferramentas terapêuticas.
Apesar das críticas, o deputado Isidório buscou um tom conciliador. Disse não ver problema no uso das bonecas, desde que não se perca o foco no cuidado com os seres humanos. “Esses brinquedos podem ter um papel, mas não podem substituir a compaixão por crianças reais. As de verdade, feitas por Deus”, declarou.
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