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quarta-feira, setembro 16, 2026

Exame ocular criado por brasileiro detecta sinais de autismo em 15 minutos

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Um novo exame ocular desenvolvido por pesquisadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, promete revolucionar o diagnóstico precoce do autismo. Aprovado em janeiro deste ano pela FDA (agência reguladora americana), o teste utiliza tecnologia de rastreamento ocular e é capaz de identificar sinais do transtorno do espectro autista (TEA) em apenas 15 minutos — com eficácia em cerca de 80% dos casos.

Chamado de EarliPoint Evaluation, o exame foi desenvolvido pelos neurocientistas Warren Jones e Ami Klin — este último brasileiro e diretor do Marcus Autism Center, o principal centro de pesquisa e tratamento do autismo nos EUA. O foco da avaliação são crianças entre 16 e 30 meses de idade.

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Durante o teste, o bebê assiste a 14 vídeos curtos enquanto uma câmera monitora o movimento dos olhos 120 vezes por segundo. O sistema analisa, em tempo real, como a criança reage aos estímulos sociais apresentados. Crianças com desenvolvimento típico tendem a focar nos rostos e interações humanas, enquanto aquelas com sinais de autismo desviam a atenção para objetos e ignoram aspectos sociais do vídeo.

“O modo como crianças com autismo olham para o mundo é diferente desde muito cedo. Isso impacta diretamente sua capacidade de aprender com outras pessoas”, explica Klin.

Atualmente, o diagnóstico do autismo costuma ocorrer tardiamente — entre 4 e 5 anos de idade nos EUA — apesar de pais relatarem sinais antes dos dois anos. O novo exame busca mudar esse cenário, permitindo intervenções ainda nos primeiros estágios do desenvolvimento infantil.

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O equipamento custa cerca de US$ 7 mil (R$ 40 mil) e cada aplicação do exame sai por US$ 225 (R$ 1,2 mil). Ainda não há previsão de disponibilidade no Brasil.

Além da detecção precoce, os criadores do teste alertam para a importância do acesso ao tratamento, especialmente entre minorias sociais. Estudos mostram que crianças negras são diagnosticadas mais tarde e têm menos acesso a terapias, o que pode comprometer o progresso no desenvolvimento.

“O diagnóstico precoce é apenas parte da equação. Precisamos garantir que essas crianças recebam o suporte de que precisam o mais rápido possível”, afirma Klin.

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