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quarta-feira, setembro 16, 2026

SUS inspira Reino Unido a adotar modelo de agentes comunitários de saúde

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O Sistema Único de Saúde (SUS) se tornou referência internacional e agora serve de inspiração para o Reino Unido, que estuda replicar o modelo brasileiro de Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) para fortalecer o atendimento primário em seu sistema público, o NHS (National Health Service).

A iniciativa é fruto de uma cooperação entre pesquisadores britânicos e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do ResiliSUS — Laboratório de Tecnologia, Informação e Resiliência do SUS. O objetivo é aplicar no Reino Unido a metodologia de atuação dos ACSs, que aproximam os serviços básicos de saúde da população, com foco em prevenção e vínculo territorial.

Um dos participantes dessa troca é o agente Bernardo Xavier, de 32 anos, morador do Rio de Janeiro. Ex-estudante de Direito, ele optou por seguir os passos da mãe e se tornou ACS na comunidade do Anil. Em abril, Xavier passou nove dias em Londres conhecendo de perto os projetos-piloto do NHS que já adotam o modelo brasileiro. “Era um plano B que virou plano A. Ver como essa estratégia faz diferença na vida das pessoas me encantou”, diz.

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A experiência brasileira chama atenção pela eficácia. Os ACSs são considerados pilares da Estratégia Saúde da Família e atuam diretamente nas comunidades, visitando domicílios e promovendo ações educativas. Hoje, o Brasil conta com mais de 280 mil agentes comunitários espalhados por todas as regiões do país, alcançando populações em áreas remotas, comunidades ribeirinhas, favelas e territórios com violência armada.

No Reino Unido, o trabalho começou de forma experimental em 2021 no bairro de Pimlico, em Londres, com apenas quatro agentes atuando junto a 20 famílias cada. Os bons resultados — como identificação precoce de vulnerabilidades e fortalecimento do vínculo com as comunidades — levaram à expansão do projeto para outras regiões, como Cornualha, Oxford e Norfolk. Atualmente, o país conta com 150 agentes comunitários em atividade, com previsão de expansão para 25 áreas da Inglaterra nos próximos anos.

A ideia é que esses agentes não precisem ter formação em saúde, mas sim vínculo com a comunidade onde atuam, além de serem capacitados com treinamentos e receberem supervisão constante.

O médico britânico Matthew Harris, que lidera a cooperação pelo Imperial College de Londres, conheceu o modelo brasileiro ao atuar como sanitarista em Pernambuco. “O trabalho dos ACSs tornou minha atuação como médico muito mais eficaz. Eles sabem o que realmente acontece nas comunidades”, diz. Já Connie Junghans-Minton, médica que coordena o projeto em Londres, afirma que a pandemia foi um divisor de águas. “Percebemos que não conhecíamos bem nossas comunidades. O modelo brasileiro mostrou uma saída.”

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Para o coordenador do ResiliSUS, Alessandro Jatobá, o sucesso da iniciativa está na capacidade do SUS de superar adversidades com estratégias territorializadas. “Não adianta ter um sistema rico se há barreiras de acesso. O SUS é resiliente porque chega onde precisa, com gente que conhece o território”, destaca.

A parceria prevê ainda intercâmbio de profissionais, oficinas e publicação de um livro relatando a experiência e os desafios enfrentados por ambos os países. A expectativa é que essa cooperação fortaleça o diálogo entre os sistemas de saúde e ajude a construir soluções mais humanas e acessíveis em escala global.

“O SUS é a maior conquista do povo brasileiro. Quem diz que ele não funciona está mal informado ou mal intencionado”, resume Jatobá.

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