Cientistas estão mais próximos de desvendar a base genética do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), uma das condições psiquiátricas mais difíceis de tratar. Um estudo de larga escala, publicado recentemente na revista Nature Genetics, analisou o DNA de mais de dois milhões de pessoas e encontrou ligações genéticas que podem mudar a forma como a medicina compreende e enfrenta o problema.
O levantamento envolveu mais de 53 mil pessoas diagnosticadas com TOC e revelou 30 regiões do genoma humano associadas ao transtorno. No total, 249 genes passaram a ser considerados de interesse para a ciência. Embora nenhum gene isolado seja apontado como “culpado” pelo TOC, o padrão genético encontrado ajuda a entender como diferentes mecanismos biológicos se sobrepõem para aumentar o risco da doença.
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Segundo os autores da pesquisa, os genes identificados estão ligados a áreas do cérebro responsáveis por processos como tomada de decisão, controle emocional e formação de hábitos — justamente os sistemas mais afetados em pacientes com TOC. Os dados também revelaram conexões com outras condições psiquiátricas, incluindo esquizofrenia e depressão, além de distúrbios neurológicos como epilepsia.
Outro achado que chama atenção é a possível relação entre o TOC e o sistema imunológico. Algumas das regiões genéticas mapeadas também participam da imunidade adaptativa, levantando a hipótese de que processos inflamatórios possam influenciar o funcionamento do cérebro em indivíduos com o transtorno.
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O levantamento genético ainda destacou a importância dos neurônios espinhosos médios — células cerebrais envolvidas na formação de hábitos e que são alvo de medicamentos usados no tratamento do TOC. Com isso, os cientistas acreditam que será possível avançar para terapias mais eficazes e personalizadas no futuro, ajustadas ao perfil genético e sintomático de cada paciente.
As descobertas abrem caminhos não apenas para um melhor entendimento do TOC, mas também para ampliar a abordagem da saúde mental como um todo, considerando fatores genéticos, neurológicos e imunológicos como partes interligadas do problema.
A pesquisa foi liderada por uma equipe internacional e contou com a participação da psiquiatra Carol Mathews, da Universidade da Flórida, que acredita que esses avanços podem transformar a vida de milhões de pessoas.
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