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quarta-feira, setembro 16, 2026

Mesmo em queda, desmatamento ainda destrói o Cerrado e Amazônia em ritmo alarmante

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Apesar de apresentar uma redução expressiva pelo segundo ano consecutivo, o desmatamento no Brasil ainda preocupa. Dados inéditos do relatório da Rede MapBiomas, divulgados nesta quinta-feira (15/5), mostram que o país perdeu 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa em 2024 — o equivalente a mais de 12 vezes a área da cidade do Rio de Janeiro.

A queda de 32,4% em relação a 2023 pode sinalizar um avanço, mas não esconde a gravidade do problema: a devastação continua em larga escala, especialmente em dois biomas estratégicos — o Cerrado e a Amazônia, que juntos concentraram quase 9 em cada 10 hectares desmatados neste ano.

Pelo segundo ano seguido, o Cerrado lidera o triste ranking da destruição ambiental, com mais de 652 mil hectares de vegetação nativa perdidos. A região do Matopiba — que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — foi responsável por 75% do desmatamento no bioma e quase metade de toda a perda registrada no país. Ainda assim, houve recuo de 40% na devastação em relação ao ano anterior.

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O Maranhão aparece no topo entre os estados que mais derrubaram vegetação, mesmo com uma redução na taxa. A região responde por quase um quinto de toda a área desmatada no país em 2024.

Na Amazônia, o desmatamento também diminuiu, mas segue em patamar preocupante. Foram 377 mil hectares destruídos — uma área que equivale a mais de 7 árvores derrubadas por segundo. O número de grandes áreas devastadas, acima de 100 hectares, caiu 31%.

Outros biomas também sofreram perdas relevantes. A Caatinga, por exemplo, teve o maior caso isolado de desmatamento registrado no ano: um único imóvel rural no Piauí desmatou mais de 13 mil hectares em apenas três meses. No total, o bioma perdeu 174 mil hectares em 2024.

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Já o Pantanal, a Mata Atlântica e o Pampa juntos responderam por uma parcela bem menor — cerca de 3% da destruição nacional. Mesmo assim, a Mata Atlântica viu o desmatamento aumentar levemente, influenciado por enchentes históricas no Rio Grande do Sul.

No acumulado dos últimos seis anos, o Brasil perdeu uma área de vegetação equivalente ao tamanho da Coreia do Sul: quase 10 milhões de hectares. Sozinho, o Pará foi responsável por quase 2 milhões deles e lidera o ranking nacional de destruição ambiental desde 2019.

Embora a devastação esteja desacelerando, o principal motor da perda de vegetação continua sendo o avanço agropecuário, que responde por mais de 97% da área desmatada no período. Em muitos casos, a supressão da vegetação ocorre dentro da legalidade — no Cerrado, por exemplo, a legislação permite que até 80% da área de um imóvel seja desmatada, o que explica parte da expansão descontrolada.

A combinação de políticas mais eficazes, fiscalização e limites legais mais rígidos será fundamental para transformar a redução pontual em uma tendência sólida e duradoura. Caso contrário, mesmo com quedas estatísticas, o Brasil continuará perdendo, a cada ano, pedaços valiosos de sua biodiversidade.

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