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quarta-feira, setembro 16, 2026

Por que explorar uma geleira sem guia pode ser um erro fatal

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Elas encantam com sua imensidão branca, silêncio absoluto e beleza quase sobrenatural. Mas por trás da aparente tranquilidade das geleiras, esconde-se um terreno traiçoeiro, onde cada passo pode ser o último. A ilusão de estabilidade dessas massas de gelo milenares tem atraído turistas desavisados que, ao explorá-las sem ajuda profissional, se colocam frente a riscos que nem sempre são visíveis a olho nu.

“Essas paisagens estão vivas e mudam constantemente”, afirma Maria Intxaustegi, guia de montanhismo da Lindblad Expeditions. Segundo ela, o movimento contínuo do gelo, influenciado pela gravidade e pelas mudanças climáticas, altera a superfície glacial todos os dias. Isso faz com que buracos, fendas e túneis surjam de forma imprevisível — e muitas vezes imperceptível até mesmo para os mais experientes.

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Tim Patterson, membro da Associação Canadense de Guias de Montanha, reforça o alerta: “O que parece firme pode ser apenas uma camada de neve fina cobrindo uma fenda de dezenas de metros de profundidade”. Esse tipo de formação, conhecida como crevasse, representa um dos maiores perigos para quem caminha sem equipamentos ou treinamento adequados. A queda pode ser fatal.

Mas há outras ameaças além das rachaduras. Os chamados moulins, túneis verticais formados quando a água escorre pelas rachaduras do gelo, são como armadilhas camufladas que podem sugar um aventureiro em segundos. Patterson relata um caso marcante dos anos 1970, quando um colega caiu em um desses buracos na Geleira Saskatchewan e só sobreviveu por ter sido arremessado por um rio glacial até um lago — uma situação rara, quase milagrosa.

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Além desses riscos invisíveis, deslizamentos de gelo, quedas de rochas e mudanças bruscas no relevo aumentam ainda mais o perigo. A ideia de uma geleira como um ambiente congelado e estático é um mito: na verdade, trata-se de uma estrutura que se comporta como um rio de gelo em movimento constante.

A orientação de guias experientes, portanto, não é apenas um auxílio — é uma necessidade vital. Como afirma Intxaustegi, “as geleiras não perdoam erros, e não avisam antes de ceder”.

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