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quarta-feira, setembro 16, 2026

Elefantas jovens assumem papel de babá na criação dos filhotes

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Na Reserva Nacional de Samburu, no Quênia, uma jovem elefanta africana de dez anos retornou ao grupo após um mês afastada — e não voltou sozinha. Ao lado de outras fêmeas e um filhote recém-nascido, ela passou a desempenhar um papel vital na estrutura familiar dos elefantes: o de cuidadora auxiliar.

O comportamento observado se encaixa no que cientistas chamam de “alomaternidade”, prática comum entre elefantes, em que fêmeas que ainda não são mães cuidam dos filhotes do grupo. “Ela agiu como uma babá”, contou Giacomo D’Ammando, pesquisador da organização Save the Elephants. A presença dessas cuidadoras é mais do que um gesto de solidariedade — é um traço fundamental da vida social desses animais.

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As chamadas alomães têm funções variadas. Elas ajudam a proteger os filhotes, acalmam os mais agitados, guiam os primeiros passos e, com isso, adquirem experiência para quando tiverem seus próprios filhotes. Além disso, segundo a cientista Shifra Goldenberg, da San Diego Zoo Wildlife Alliance, esse apoio é essencial em momentos críticos, como quando a manada se dispersa em busca de alimento ou durante eventos de risco.

Um exemplo dramático desse comportamento protetor foi registrado em abril de 2025, quando um terremoto de magnitude 5,2 atingiu o San Diego Zoo Safari Park. As câmeras captaram três elefantas adultas formando uma barreira ao redor dos filhotes, demonstrando o instinto coletivo de defesa.

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Esse laço vai além da proteção. As cuidadoras também participam de brincadeiras, que têm papel central no desenvolvimento social dos jovens elefantes. Durante a noite, enquanto as mães forrageiam, os filhotes muitas vezes dormem próximos às babás, reforçando os vínculos emocionais.

Outro aspecto curioso revelado pelos estudos é a amamentação alógena — quando uma elefanta permite que um filhote que não é seu mame. Com suas trombas, elas orientam os pequenos até os mamilos, oferecendo não só alimento, mas também conforto.

Para os pesquisadores, esse cuidado coletivo é a chave para o sucesso reprodutivo e social da espécie. Como resume a equipe do parque: “é preciso uma aldeia para criar um filhote” — e, no caso dos elefantes, essa aldeia é feita de laços, aprendizado e proteção compartilhada.

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