Uma descoberta feita a partir da análise de um meteorito encontrado na Antártida pode reescrever parte da história sobre como a água surgiu na Terra. Ao estudar a composição da rocha espacial, cientistas identificaram a presença de sulfeto de hidrogênio — composto que contém hidrogênio, um dos elementos fundamentais para a formação da água.
A amostra pertence a um tipo raro de meteorito conhecido como condrito enstatítico, cuja composição é muito próxima à das rochas que formaram o planeta. Até então, acreditava-se que a água presente na Terra fosse resultado de colisões com asteroides e cometas vindos das bordas do Sistema Solar. Agora, a nova hipótese propõe que o planeta já teria, desde o início, os elementos básicos para produzir água.
O estudo foi publicado em abril na revista científica Icarus e é liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford. Um dos autores, o geocientista James Bryson, afirma que o hidrogênio detectado poderia ter reagido com o oxigênio disponível na Terra primitiva, dando origem a grandes volumes de água logo nas fases iniciais do planeta.
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A teoria tradicional — de que a água veio de impactos raros com corpos celestes — sempre enfrentou críticas por depender de eventos altamente específicos e de baixa probabilidade. A nova proposta, se confirmada, pode indicar que o surgimento da água foi um processo natural da própria formação terrestre — e não um acaso cósmico.
Apesar do entusiasmo com os resultados, parte da comunidade científica pede cautela. O pesquisador Conel Alexander, da Carnegie Institution, aponta o risco de contaminação da amostra por água ou gelo da Antártida, o que poderia distorcer os resultados. Segundo ele, o ideal seria analisar uma rocha recém-chegada do espaço, em ambiente totalmente isolado.
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Mesmo com questionamentos, a descoberta reacende o debate sobre como planetas rochosos como a Terra adquirem água. Se os elementos-chave já estavam presentes desde o início da formação planetária, isso pode significar que mundos com condições semelhantes espalhados pelo universo também tenham potencial para desenvolver oceanos — e, quem sabe, formas de vida.
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