Como o cérebro decide o que guardar como memória e o que descartar? Uma nova pesquisa publicada na revista Science começa a desvendar esse mistério, ao mostrar que os neurônios utilizam diferentes formas de aprendizado simultaneamente, contrariando o que os cientistas acreditavam até agora.
Por muito tempo, a neurociência trabalhou com a ideia de que as conexões entre neurônios — chamadas sinapses — se fortalecem ou enfraquecem de maneira uniforme, conforme o uso. Esse processo, conhecido como plasticidade sináptica, é a base da formação de memórias. No entanto, o novo estudo mostra que o funcionamento é bem mais sofisticado.
Ao acompanhar em tempo real a atividade cerebral de camundongos treinados para responder a estímulos sonoros, os pesquisadores perceberam que diferentes áreas de um mesmo neurônio adotavam regras distintas para modificar suas conexões. Algumas sinapses obedeciam à teoria clássica — de que neurônios que “disparam juntos” criam ligações mais fortes —, mas outras não seguiam esse padrão e se comportavam de forma independente.
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A conclusão é de que os neurônios operam com múltiplos modos de aprendizagem ao mesmo tempo. Essa habilidade de “multitarefa” permite que eles adaptem com mais precisão os sinais que recebem e armazenem diferentes tipos de informações com mais eficiência.
Além de lançar luz sobre os mecanismos da memória, a descoberta pode influenciar áreas como inteligência artificial — cujos algoritmos são inspirados no funcionamento do cérebro — e contribuir no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para distúrbios neurológicos e psiquiátricos.
Condições como depressão, por exemplo, estão ligadas à deterioração de conexões em determinadas áreas cerebrais. Compreender como essas sinapses deveriam funcionar pode ajudar a criar terapias mais específicas e efetivas.
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Embora a pesquisa represente um grande avanço, muitas perguntas ainda estão em aberto. Por que sinapses vizinhas seguem regras diferentes? Como essa diversidade de estratégias impacta a memória de longo prazo? Os cientistas agora têm um novo mapa a seguir — e ele promete transformar nossa compreensão sobre o cérebro.
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