Um caso extremo de exploração humana, descoberto em Minas Gerais, pode resultar em uma indenização de mais de R$ 1,3 milhão para uma das vítimas. O homem, mantido em condições análogas à escravidão por quase uma década, foi submetido a abusos físicos, sexuais e psicológicos. Entre as violências sofridas, foi forçado a tatuar a inicial de um dos patrões no corpo.
A situação foi revelada após operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego e da Polícia Federal nas cidades de Planura e Frutal. O trio de homens responsáveis pelos crimes – que vivia em um relacionamento poliamoroso – foi preso em flagrante. Eles usavam redes sociais para atrair pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade, oferecendo promessas falsas de emprego, moradia e acolhimento.
++ Ela aprendeu a voar só para resgatar o marido da prisão
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, o homem resgatado – de nacionalidade uruguaia – trabalhou sem registro formal, salário ou direitos trabalhistas entre 2016 e 2025. O órgão ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho solicitando o pagamento de R$ 300 mil em verbas trabalhistas e rescisórias. Além disso, pede o reconhecimento oficial do vínculo de emprego no período.
Também foi solicitada indenização de R$ 1 milhão por danos morais e existenciais ao trabalhador, além de R$ 2 milhões por danos morais coletivos. A Justiça ainda avaliará se a segunda vítima do caso, uma mulher trans também uruguaia, será contemplada com reparação semelhante. Segundo o processo, ela sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), possivelmente relacionado ao estresse das agressões constantes que presenciava.
As vítimas foram levadas a centros de acolhimento ligados à Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e à UNIPAC, onde recebem apoio psicológico, jurídico e médico. As investigações continuam para apurar possíveis novos crimes e vítimas.
++ Como os EUA transformaram bikini em um legado radioativo
O caso escancara uma rede de aliciamento e exploração que usava vulnerabilidades afetivas e sociais como ferramenta de dominação. A Justiça ainda não definiu prazos para julgamento, mas o processo já é considerado um dos mais graves envolvendo trabalho escravo contemporâneo no estado.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



