Uma expedição científica australiana revelou descobertas inéditas nas profundezas geladas da Antártida Oriental. A bordo do navio quebra-gelo RSV Nuyina, pesquisadores da Divisão Antártica Australiana (AAD) passaram dois meses explorando as águas ao redor da geleira Denman, uma das mais instáveis do continente, e encontraram uma variedade surpreendente de vida marinha — incluindo espécies raras e potencialmente desconhecidas pela ciência.
Durante a missão, os cientistas registraram criaturas inusitadas como pepinos-do-mar rosados, aranhas-do-mar gigantes, estrelas-do-mar de proporções incomuns e polvos que só existem naquela região. Também foram observados pequenos organismos quase invisíveis, como crustáceos isópodes e as chamadas borboletas-do-mar, moluscos que se movimentam de forma semelhante a um voo subaquático.
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Um dos momentos marcantes da expedição ocorreu quando uma dessas borboletas colocou ovos dentro de um aquário do navio. O fato permitiu que a equipe acompanhasse, pela primeira vez, o desenvolvimento embrionário dos pterópodes — algo ainda não registrado pela ciência até então.
A coleta de dados foi possível graças a tecnologias adaptadas para ambientes extremos. Um dos recursos mais utilizados foi um poço úmido projetado para capturar espécies frágeis sem danificá-las, o que possibilitou análises comportamentais e biológicas em tempo real.
Além das descobertas biológicas, a missão teve como objetivo central monitorar a dinâmica da geleira Denman, que perdeu mais de cinco quilômetros de extensão em pouco mais de duas décadas. De acordo com os especialistas, o colapso total dessa massa de gelo pode representar uma elevação global de até 1,5 metro no nível do mar.
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Nos laboratórios flutuantes do Nuyina, os dados hidrológicos revelaram mudanças preocupantes: correntes mais fortes, temperaturas elevadas em níveis intermediários do oceano e padrões térmicos fora do esperado. Tais resultados reforçam a preocupação sobre o impacto do aquecimento global nos sistemas glaciares da Antártida.
Entre os registros visuais mais impressionantes da jornada está a observação de um iceberg com coloração esverdeada, fenômeno raro causado pela presença de partículas minerais em suspensão no gelo. O navio está previsto para retornar à cidade de Hobart, na Tasmânia, no início de maio, encerrando uma missão que, além de científica, é um alerta para o futuro do planeta.
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