O Vaticano amanheceu em luto nesta segunda-feira (21) com a morte do papa Francisco, aos 88 anos, na Casa Santa Marta, sua residência oficial. Em editorial, a Santa Sé homenageou o pontífice argentino, destacando sua trajetória marcada pela defesa incansável da misericórdia e sua coragem em levar a Igreja às margens da sociedade.
Descrito como o “papa da misericórdia”, Francisco será lembrado por seu esforço em aproximar a Igreja daqueles que mais sofrem. “A misericórdia de Deus é a nossa libertação e a nossa felicidade… ela é o ar que respiramos”, dizia o pontífice, em uma das frases lembradas no texto.
A nota relembra a força de sua mensagem, pautada no acolhimento dos excluídos, na denúncia da guerra e na preocupação com o meio ambiente. O editorial ressalta: “O coração de sua mensagem é o chamado evangélico à misericórdia. A proximidade e ternura de Deus para com aqueles que se reconhecem necessitados da sua ajuda”.
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Primeiro latino-americano a assumir o trono de Pedro, Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, em 1936, e iniciou sua trajetória religiosa aos 20 anos, após formação em química. Ele sucedeu Bento XVI em 2013, tornando-se o 266º papa da Igreja Católica.
Mesmo com a saúde debilitada — agravada por uma pneumonia dupla e necessidade de transfusões de sangue — Francisco manteve sua rotina de aparições públicas. No último sábado (19), esteve na basílica de São Pedro e, no domingo de Páscoa (20), saudou fiéis na praça que leva o nome do apóstolo.
Durante seu pontificado, gestos simbólicos se tornaram marcas registradas, como a visita à ilha de Lampedusa, para denunciar o drama dos migrantes. Em sua homilia em Santa Ana, afirmou: “Deus perdoa com uma carícia, não com um decreto”, frase que sintetiza sua visão pastoral.
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“Ao longo dos anos, Francisco fez questão de mostrar uma Igreja de portas abertas, próxima das pessoas e disposta a correr riscos”, destacou a Santa Sé. O editorial ainda pontua que, até seus últimos dias, o papa manteve firme a missão de “tornar visível o rosto terno de Deus”.
Em sua última bênção pública, Francisco pediu que líderes políticos deixassem de lado o medo e usassem os recursos para ajudar os mais necessitados. Um apelo que resume não apenas suas palavras finais, mas todo o seu legado.
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