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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cirurgia delicada e recuperação sem pressa mantêm Bolsonaro afastado da política

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestou nesta segunda-feira (14), pela primeira vez desde que passou por uma cirurgia de grande complexidade no domingo. Em publicação feita nas redes sociais, ele agradeceu as mensagens de apoio e destacou que a fase de recuperação exigirá paciência e atenção redobrada da equipe médica.

“O procedimento foi necessário por conta de uma obstrução intestinal. Estou estável, mas a recuperação será lenta”, escreveu. Ainda internado em Brasília, Bolsonaro segue sob cuidados intensivos e sem previsão de alta, tampouco de retomada da agenda pública.

De acordo com a equipe médica do hospital DF Star, a cirurgia visou corrigir problemas decorrentes de antigas intervenções, incluindo a facada sofrida durante a campanha de 2018. Esta foi a sétima operação abdominal de Bolsonaro, e também a mais longa. Segundo o cirurgião Cláudio Berolini, foram necessárias duas horas apenas para acessar a cavidade abdominal, devido ao nível de aderência interna causado por cirurgias anteriores.

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“É um abdômen cirurgicamente complexo, resultado de traumas anteriores. A situação exigia ação imediata. Não havia mais resposta ao tratamento clínico”, explicou Berolini.

O ex-presidente foi internado após sentir fortes dores durante um evento político em Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte, na sexta-feira (10). De lá, foi levado para Natal e, em seguida, transferido para Brasília em uma aeronave com UTI.

Ainda sem previsão para deixar a UTI, Bolsonaro está sendo alimentado por via intravenosa e só voltará a se alimentar normalmente quando houver plena retomada das funções intestinais. O pós-operatório, segundo os médicos, será prolongado, podendo levar de dois a três meses até sua plena recuperação.

Com a internação, a “Rota 22” — roteiro de viagens promovido pelo PL com foco nas eleições de 2026 — será suspensa temporariamente. Bolsonaro era a figura central da iniciativa, que tinha compromissos marcados no Nordeste durante esta semana.

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O cardiologista Leandro Echenique, que acompanhou o procedimento, afirmou que a cirurgia foi um sucesso, embora extremamente difícil. “Foram encontradas diversas aderências. Felizmente, conseguimos conduzir tudo com êxito, mas o pós-operatório será exigente”, disse. Ele também alertou para riscos como trombose e infecções, comuns em situações como essa.

Apesar da gravidade do quadro, a equipe médica acredita que esta possa ser a última intervenção abdominal de Bolsonaro. “A cirurgia foi planejada para ser definitiva”, afirmou Berolini.

Enquanto enfrenta o processo de recuperação, o ex-presidente também lida com um novo capítulo em sua situação jurídica. Bolsonaro e outros sete acusados têm até sexta-feira (18) para apresentar suas defesas no processo aberto pelo Supremo Tribunal Federal.

A acusação, aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF, envolve suspeitas de tentativa de golpe de Estado em 2022, além de outros crimes, como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

A defesa poderá apresentar provas, arrolar testemunhas e formular pedidos específicos. O julgamento final, que definirá se os réus serão condenados ou absolvidos, ainda não tem data marcada.

Entre os demais acusados estão ex-ministros, militares de alta patente e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, também determinou que os depoimentos sejam colhidos por videoconferência e descartou testemunhas sem relação direta com os fatos.

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