A surpreendente habilidade dos camaleões de mudar de cor não é fruto de mágica, mas sim de uma engenharia biológica sofisticada. Muito além de simples pigmentos, esses répteis contam com estruturas microscópicas altamente especializadas que os ajudam a se adaptar ao ambiente, comunicar intenções e regular a própria temperatura corporal.
Esses animais possuem células chamadas cromatóforos, que contêm diferentes tipos de pigmentos. Entre elas, destacam-se os melanóforos, que fornecem tons escuros; os xantóforos, responsáveis pelas cores quentes como amarelo e vermelho; e os iridóforos, que não carregam pigmento, mas refletem a luz através de cristais fotônicos — pequenas estruturas capazes de manipular o comprimento de onda visível. Quando essas células interagem entre si, criam uma paleta vibrante e funcional.
Um estudo publicado na Nature Communications em 2015 mostrou que os camaleões alteram sua coloração controlando a distância entre esses cristais na pele. Quando os cristais estão mais próximos, refletem cores mais frias, como o azul; ao se afastarem, refletem tons mais quentes, como amarelo e vermelho. Essa mudança pode acontecer em segundos, dependendo do humor ou da necessidade do animal.
Os camaleões também contam com duas camadas distintas de iridóforos. A superior é a responsável pela mudança ativa de cores visíveis, enquanto a inferior reflete luz infravermelha, ajudando o animal a dissipar ou reter calor em ambientes quentes.
A alteração de cor tem múltiplas funções. Em habitats naturais, permite que esses répteis se confundam com o ambiente, dificultando a detecção por predadores. Em contextos sociais, as cores são usadas para atrair parceiros ou sinalizar agressividade. Além disso, como animais ectotérmicos, eles escurecem para absorver calor e clareiam a pele para evitar o superaquecimento — uma estratégia eficiente para manter o equilíbrio térmico.
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As mudanças não são apenas instintivas, mas também reativas. Camaleões ajustam sua tonalidade conforme o humor ou o estresse. Em situações de ameaça ou cortejo, exibem padrões intensos de cor que podem sinalizar tanto força quanto vulnerabilidade — uma linguagem silenciosa e visual com significado claro dentro da espécie.
Ao revelar as engrenagens por trás dessa habilidade, a ciência reforça que a natureza tem soluções tão criativas quanto complexas para os desafios da sobrevivência. E no caso dos camaleões, a pele fala — com cores.
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