Diante do aumento contínuo da inflação e do desemprego que atinge mais de 40% dos jovens, a população da Tunísia tem recorrido a soluções inusitadas para sobreviver. Uma delas é a substituição da carne vermelha por caracóis, que se tornaram não apenas uma fonte alternativa de proteína, mas também uma opção acessível para vendedores e consumidores.
Tradicionalmente associado à culinária francesa, o escargot tem se popularizado no país do Norte da África como alimento do dia a dia, não pelo prestígio, mas pela necessidade. Os caracóis são vendidos em feiras e mercados por valores muito abaixo dos praticados para carnes convencionais. “Caracóis são melhores para cozinhar do que cordeiro. Se a carne de cordeiro custa 60 dinares (R$ 113,70), uma tigela de caracóis custa cinco dinares (R$ 9,43)”, relatou um comerciante local à agência de notícias Associated Press.
Além do preço, o valor nutricional do produto também tem atraído quem precisa alimentar a família com o que cabe no bolso. Os caracóis são ricos em ferro, cálcio, magnésio e possuem baixo teor de gordura, características que os tornam ainda mais viáveis como substituto à carne e às aves, cujos preços dispararam nos últimos anos.
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A crise econômica que se arrasta desde antes da pandemia forçou muitos tunisianos a reinventarem sua relação com a alimentação. Em um cenário onde a fome ameaça bater à porta, até mesmo os ingredientes mais improváveis ganham espaço no cardápio diário.
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